Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Marun critica 'hipocrisia' de pré-candidatos de centro que tentam se afastar do governo

Após reunião do MDB, ministro diz que partido só vai deixar de liderar a chapa se for por uma candidatura de 'exaltação' ao legado da gestão de Michel Temer

Renan Truffi, O Estado de S.Paulo

08 Maio 2018 | 00h38

BRASÍLIA - O ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun, elevou o tom nesta segunda-feira, 8, sobre a possibilidade do MDB abrir mão de uma candidatura própria para formar uma chapa única com outros partidos de centro. Marun disse que todos os candidatos desse campo político "estão patinando" e quem quiser o apoio do MDB precisa defender o governo, incluindo o PSDB do pré-candidato Geraldo Alckmin.

"Se Alckmin quiser o apoio do governo, tem que defender o governo. Quem quiser o apoio do governo tem que defender o governo e exaltar o que fizemos juntos. O PSDB foi governo até esses dias. Quem quiser seguir conosco na eleição tem que ter a sinceridade de defender isso porque ou foram governo até esses dias ou continuam no governo", explicou. "Ou não coligam com o MDB ".

As afirmações foram feitas após reunião entre o presidente Michel Temer e representantes de diretórios do MDB nos Estados. Também participaram do encontro, no Palácio da Alvorada, em Brasília, os ministros de Minas e Energia, Moreira Franco, da Casa Civil, Eliseu Padilha, o ex-ministro da Fazenda Henrique Meirelles e o líder do governo no Senado, Romero Jucá (MDB-RR).

Marun disse que o partido tem dois bons nomes para a disputar a eleição, em referência a Temer e Meirelles, e só vai deixar de liderar a chapa se for por uma candidatura que seja de "exaltação" ao legado do governo emedebista. Ele classificou de "hipocrisia" os candidatos de centro que tentam, às vésperas da eleição, se afastar da gestão emedebista.

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"Não estamos fechando possibilidade de conversas com outros candidatos, mas sem hipocrisia, nós fizemos o impeachment e fizemos um governo de coalização. É até hipócrita a atitude daqueles que, tendo feito o impeachment, tendo participado do governo, agora podem disputar a eleição como se não fossem governo", criticou sem ser explícito se falava dos tucanos. "Esse governo fez muito, então a eleição é o momento para que estas ações sejam destacadas. Se não (for assim), nós já temos candidato, somos um grande partido e vamos para eleição", complementou.

O ministro também fez críticas às candidaturas que ouvem mais os marqueiros e negam a realidade. "Tem candidatura de extrema-direita, tem extrema-esquerda e nós estamos tentando a candidatura de bom senso. A viabilidade de uma candidatura de bom senso só vai aparecer no momento da eleição. Estamos vendo todo mundo patinando diante dessa campanha de criminalização da política da qual somos vítimas. (Há candidatos que) ouvem marqueteiro e aceitam ser ventríloquo na perna de marqueteiro", complementou.

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Nos bastidores, Alckmin e Temer tem iniciado conversas por uma união entre os dois partidos na eleição presidencial. A ideia seria o tucano ser o candidato presidencial em troca de defender as medidas da gestão emedebista. Além de discutirem a formação de uma chapa de centro, os dirigentes do MDB também conversaram sobre as candidaturas próprias que a legenda terá nos estados. Na reunião de hoje, falou-se, por exemplo, do cenário no Pará, Santa Catarina e Rio de Janeiro, entre outros. Esta é a segunda reunião do tipo realizada pelo partido. A primeira aconteceu há duas semanas e a próxima está marcada para amanhã, terça-feira, 8.

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