André Dusek/Estadão
André Dusek/Estadão

Marun admite que demandas não atendidas podem ter influenciado votos na 2ª denúncia

Vice-líder do PMDB na Câmara diz que situação com PSDB 'constrange' a base aliada: 'Seria muito custoso não tê-los do nosso lado, mas tem uma turma ali que é difícil de aguentar'

Daiene Cardoso, O Estado de S.Paulo

26 de outubro de 2017 | 17h51

BRASÍLIA - Vice-líder do PMDB na Câmara e um dos principais personagens da "tropa de choque" do governo, o deputado Carlos Marun (MS), admitiu nesta quinta-feira que é possível que demandas não atendidas pelo Palácio do Planalto tenham influenciado nos 12 votos a menos da segunda denúncia da Procuradoria Geral da República (PGR). No dia seguinte à votação que enterrou o novo pedido de investigação do presidente Michel Temer, Marun saiu disparando contra os infiéis, em especial o PSDB, que deu mais votos a favor do prosseguimento das apurações.

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O peemedebista afirmou que o resultado pode estar vinculado a "solicitações de atendimentos complementares" ao governo que não foram correspondidos. Em geral, parlamentares demandam cargos e pagamento de emendas. "Talvez tenha aparecido gente com pedido complementar, daí com razão o governo não quis atender", respondeu.

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Nesta quarta-feira, foram 251 votos com o governo, quando na votação da primeira denúncia o Palácio do Planalto alcançou 263 votos. Marun disse que o governo vem honrando os compromissos assumidos e que, apesar da segunda denúncia ser mais "fraca" que a primeira, deputados também podem ter se sentido pressionados pela opinião pública.

Nas contas de Marun, o governo perdeu 10 votos, mas destacou que o mais importante é que o resultado numérico foi maior que os votos da oposição. "Como tivemos mais votos, a vitória foi completa", comentou.

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Marun disse que a situação com o PSDB "constrange" a base aliada. O partido deu 23 votos contra o governo e 20 a favor, o que teria provocado um "fosso" na relação. "Seria muito custoso não tê-los do nosso lado, mas tem uma turma ali que é difícil de aguentar", desabafou. O peemedebista disse que os deputados que votaram contra o governo não podem se considerar membros da base aliada, mas que ainda assim espera que cumpram a palavra e votem a favor da reforma da Previdência.

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O deputado disse ainda que a votação dos tucanos  joga uma "pá de cal" numa futura coligação do PMDB com o PSDB nas eleições de 2018, principalmente se o candidato a presidente da República for o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin. "Tivemos quase unanimidade da bancada paulista votando favoravelmente a essa ofensa contra o presidente", reclamou.

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O parlamentar defendeu a consolidação da base a partir dos 251 votos. "Dali para a frente é a conquista de votos", enfatizou. Em sua visão, o texto da reforma previdenciária precisa agradar primeiro à base fiel do governo.

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Marun, que nesta quarta-feira dançou em plenário comemorando a vitória do governo, disse que a dança serviu para "extravasar" sua felicidade. "Aproveitei para dar uma gozadinha na oposição, que fez muita bagunça ontem", afirmou. 

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