Marta vai explorar crise entre PSDB e DEM em São Paulo

Candidata petista se espelha em Lula e promete retomar 'administração marcação' de sua gestão

Clarissa Oliveira, Agencia Estado

06 de junho de 2008 | 22h13

Marta discursa no lançamento de sua candidatura à prefeitura de São Paulo. Fotos: J.F. Diório/AE       SÃO PAULO - Num ato partidário que sacramentou sua pré-candidatura à Prefeitura de São Paulo, a ex-ministra do Turismo Marta Suplicy (PT) deixou claro que vai explorar a seu favor a recém-desfeita aliança entre o prefeito Gilberto Kassab (DEM) e o ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB), seus principais rivais na disputa de outubro. "Eles são duas faces da mesma moeda", disse Marta, que foi recebida numa cerimônia na Casa de Portugal. "No Brasil ou em São Paulo, eu conheço muitíssimo bem o limite de suas propostas e o baixo alcance de suas idéias."Com um discurso sempre colado na imagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Marta disse que quer retornar ao comando da prefeitura para retomar a "administração marcante" que conduziu entre 2000 e 2004 na cidade. "Eu quero fazer aqui o que o governo Lula está fazendo no Brasil. Melhorar a vida das pessoas. É isso o que realmente importa", completou a ex-ministra.Destacando o fato de ser "paulistana até a medula", Marta disse que serão novamente colocados em jogo dois modelos de governar. De um lado, segundo ela, estará a inclusão social e, do outro, a "enrolação social". "Não há lugar para corpo mole e não tem lugar para bate-boca."Com capacidade para mil pessoas, o espaço estava lotado de petistas, inclusive nas escadarias e corredores de acesso. Ainda assim, o ato foi marcado por muitas ausências. O presidente nacional do PT, deputado Ricardo Berzoini, era esperado. Mas não apareceu, sob o argumento de que participaria da convenção do PSB em Brasília. Da mesma forma, o presidente estadual da legenda, Edinho Silva, e o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia, se ausentaram sob o argumento de que tinham outros compromissos. O senador Eduardo Suplicy chegou a ser anunciado como uma das ausências, mas apareceu no final da cerimônia, que durou menos de uma hora. No palco, estavam nomes como o senador Aloizio Mercadante e o deputado José Genoino. Ou ainda membros do grupo de apoio de Marta em São Paulo, como o presidente municipal da legenda, José Américo Dias, e os deputados Cândido Vacsarezza e Devanir Ribeiro. Abordada por centenas de militantes, Marta teve dificuldades de sair do local. Em meio a um tumulto, teve de ser escoltada por seguranças e assessores.

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