Marta vai aos EUA conhecer modelos para museu

Com uma visita de cinco dias a Washington e a Nova York, a ministra da Cultura, Marta Suplicy, tomou para si a tarefa de conhecer experiências locais que possam contribuir para a instalação do Museu da Memória Afrodescendente, em Brasília. Emendas ao Orçamento de 2013 já permitiram reservar R$ 12,5 milhões para o projeto, enquanto museus e bibliotecas históricas do País continuam, como descreveu a própria ministra, com recursos "baixíssimos e ridículos".

DENISE CHRISPIM MARIN, Agência Estado

15 de março de 2013 | 18h42

O Museu da Memória Afrodescendente é uma ideia de quase 20 anos. Nasceu com a doação do Distrito Federal de um terreno no Lago Sul de Brasília à Fundação Palmares, como homenagem à primeira visita do então presidente da África do Sul, Nelson Mandela, ao Brasil. Desde então, naquele lugar há apenas uma pedra fundamental.

Segundo Marta, o museu terá os objetivos de "contar a história" dos negros no Brasil e de sua contribuição para a formação da identidade nacional valendo-se de alta tecnologia e recursos virtuais. A inspiração será o Museu da Língua Portuguesa, de São Paulo. O custo será definido depois da elaboração do projeto arquitetônico. Marta quer, pelo menos, ver a obra iniciada neste governo de Dilma Rousseff, para afastar o risco de recuo na próxima gestão.

"Essa história não foi contada direito ainda", afirmou Marta. "E nós vamos dar para o negro um lugar nobre de Brasília", completou, ao referir-se à construção do museu no Lago Sul, o metro-quadrado mais caro da capital brasileira.

A ministra da Cultura visitou nesta sexta, em Washington, o Museu do Holocausto e o Newseum e conservaria com a equipe responsável pelo Museu Nacional de História e Cultura Afroamericana, em construção na capital americana. Hoje, ela estará no Museu Nacional de Artes Africanas. Em Nova York, na próxima semana, Marta irá ao Museu de Arte Moderna (MoMA) e o Schomburg Center, que pesquisa a cultura negra.

O Ministério da Cultura está em discussão com o Victoria & Albert Museum, em Londres, para receber suas exposições já montadas. Elas seriam exibidas em museus brasileiros durante 2014, por conta da Copa do Mundo. A ministra adiantou o interesse brasileiro em exposições de história grego-romana e dispensou a necessidade de envio de obras autênticas. "Certamente, essas peças estão em um porão do V&A Museum e, mesmo que não sejam originais, não há nada parecido no Brasil", afirmou. "Não vou achar ruim se vier uma cópia da Diana."

Vale Cultura

Marta Suplicy insistiu nesta sexta que não aceitará o uso do Vale Cultura para o pagamento de TV por assinatura e que "não há a menor chance" de esse benefício se estender para os jogos eletrônicos. "Sou uma pessoa aberta a questionamentos, mas não sou ping-pong", afirmou. O Vale Cultura foi criado pelo governo em dezembro passado. Segundo Marta, ainda não há clareza sobre como as pessoas pretendem gastar o vale de R$ 50 por mês para trabalhadores com remuneração de até cinco salários mínimos.

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