MARLON COSTA/FUTURA PRESS
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Marta se filiará ao PSB no dia 15 de agosto

O martelo foi batido nesta sexta-feira, 3, em uma reunião no Recife; a ideia da sigla é organizar um grande ato político na periferia da capital paulista na data

Pedro Venceslau e Ricardo Galhardo, O Estado de S. Paulo

03 de julho de 2015 | 18h35

Atualizado às 22h51

São Paulo - Depois de adiar seu ingresso no PSB, que estava prevista para acontecer no mês passado, e ensaiar uma aproximação com o PMDB, a senadora paulista Marta Suplicy (sem partido) finalmente acertou com a cúpula pessebista que assinará sua ficha de filiação no dia 15 de agosto. 

A decisão foi tomada nesta sexta-feira, 3, em reunião no Recife da qual participaram o presidente nacional da sigla, Carlos Siqueira, e o vice-governador de São Paulo, Márcio França, que controla a legenda no Estado. 

A ideia da partido é organizar um grande ato na periferia da capital paulista para criar um fato político. Na ocasião ela será anunciada como pré-candidata ao lado dos principais quadros do PSB no País. A expectativa é de que até Renata Campos, viúva de Eduardo Campos, morto em agosto de 2014, esteja presente.

 

Ex-prefeita da capital paulista e ex-ministra da Cultura, Marta deixou o PT no fim de abril depois de fazer duras críticas ao partido. Segundo aliados, apesar das conversas da senadora com o PSB, havia o temor de que França pudesse obstruir as negociações com outros partidos para tentar manter a sigla na órbita do governador Geraldo Alckmin (PSDB). 

Na conversa de sexta, a senadora, que volta hoje da capital pernambucana, recebeu garantias de que comandará o diretório paulistano do PSB, terá espaço na direção estadual da sigla e ouviu que sua candidatura será prioritária em 2016. “Não me incomodo com o fato de ela conversar com o PMDB. Ela não pode ignorar um partido tão grande”, diz Carlos Siqueira, presidente nacional do PSB. 

Segundo pessoas próximas à senadora, a aproximação com o PMDB cumpriu um papel estratégico de forçar uma garantia concreta do PSB de que ela não será refém do projeto político de Alckmin em 2016 e 2018. Além da dificuldade de conseguir o comando do PMDB na capital, ocupado pelo secretário municipal de Educação, Gabriel Chalita, aliado do PT, o eleitorado fiel a Marta na periferia mostrou resistência ao partido de Michel Temer. 

Guinada. Desde que sinalizou que romperia com o PT e passou a criticar abertamente a presidente Dilma Rousseff, Marta vem sendo assediada por vários partidos de oposição.

Até o PSDB, rival histórico da ex-prefeita, tentou se aproximar. Em uma conversa no Senado, Marta recebeu um convite do senador Aécio Neves para se filiar ao partido, mas respondeu que seus eleitores “não entenderiam uma guinada de 180°”.

Apesar de declinar do convite, ela estreitou as relações com os tucanos e até já articulou um pacto de não agressão na disputa pela capital no ano que vem. Dirigentes do PSDB paulista vão além e garantem reservadamente que apoiarão a senadora se ela passar para o segundo turno contra Fernando Haddad (PT) ou Celso Russomanno (PRB). Caso um tucano passe, a legenda espera contar com apoio dela. 

Novos amigos. A rotina de Marta no Senado mudou desde que ela entrou em confronto aberto com o PT e o governo. “Quem diria que eu um dia estaria andando de braços dados com o Serra e o Aloysio no Senado”, brincou recentemente a senadora durante uma visita a um bairro da periferia paulistana.

Quando questionada sobre sua “mudança de lado”, a resposta estava na ponta da língua. “Estamos unidos pelo interesse de São Paulo”. Em um gesto de boa vontade, Marta chegou a convidar o vereador Andrea Matarazzo, pré-candidato do PSDB à prefeitura , para escrever um artigo em seu site. Matarazzo, no entanto, recusou a oferta. 


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