Marta se diz preocupada com aumento da aids entre as mulheres

Ao participar neste domingo da cerimônia do Dia Mundial de Luta Contra a Aids, em frente do laço vermelho colocado no Monumento às Bandeiras, no Ibirapuera, a prefeita de São Paulo, Marta Suplicy (PT) mostrou-se preocupada com o fato de a doença estar crescendo mais entre as mulheres do que entre os homens, principalmente na faixa etária de 13 a 19 anos. "As mulheres, principalmente as mais jovens, precisam aprender a dizer não ao sexo não seguro", disse. "Para isso, os postos de saúde da Prefeitura estão distribuindo preservativos próprios para as mulheres."O dia 1º de dezembro foi escolhido como o Dia Internacional de Luta Contra a Aids pela Assembléia Mundial de Saúde, realizada em 1987. O laço vermelho simboliza a campanha por causa da ligação com o sangue e com a idéia de paixão. O mesmo gesto foi repetido junto a monumentos de destaque de outras grandes cidades do mundo. Por iniciativa da prefeita, as pessoas que compareceram ao evento deram-se as mãos e abraçaram o monumento para reforçar o desejo de ampliar a luta contra a doença. "Essa cerimônia é importante, pois retoma o tema no cotidiano das pessoas", disse Marta Suplicy. "Como a aids existe há vários anos, há uma tendência das pessoas em relaxar os cuidados, o que pode provocar o crescimento da doença."Orientação sexual nas escolasA prefeita anunciou que no ano letivo de 2003 haverá orientação sexual nas escolas da rede municipal de ensino. "Esse programa eu já realizava antes de entrar na política e será retomado agora, tratando com as crianças a sexualidade como um todo, além de orientá-las na prevenção de doenças." Marta ressaltou que a incidência da doença vem caindo em São Paulo. "Passou de 31 para 27 a cada 100 mil habitantes, no período de 2000 e 2001", disse. "No mesmo período, em relação às crianças, houve uma queda de 23% no número de casos notificados."O secretário municipal de Saúde, Eduardo Jorge, afirmou que em 2000 foram computados 74 casos em crianças; em 2001, foram 57. "Neste ano vai diminuir ainda mais", afirmou.Depois de informar que existem 1.400 servidores municipais atuando no combate à aids, a prefeita disse que aumentou em 700% a distribuição de camisinhas nos postos de saúde municipais. "Quando assumi a administração, eram distribuídas 100 mil por mês. Agora, são 700 mil."Apesar disso, a doença avança nos bairros marcados pela exclusão social. No Jardim Ângela, em Cidade Ademar, Grajáu, Jardim São Luís e Parelheiros, na zona sul; em Cidade Líder e Cidade Tiradentes, na zona leste; e em Tremembé, na zona norte, o número de pessoas infectadas cresceu de 1.991 a cada 100 mil habitantes para 2 mil. "Hoje, o grupo de risco é formado por pessoas carentes, que não têm informações a respeito da doença", disse Marta.

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