Marta reúne-se com empresários europeus

"Não é propriamente como representante de seu partido que receberemos a sra. Marta Suplicy, mas como uma figura brilhante da vida política e cultural brasileira, administradora da Capital financeira e industrial do País e que se interessa em estabelecer larga cooperação com a França". É dentro desse espirito "de amizade pelo Brasil e pelo seu povo" que o Senador Xavier de Villepin, presidente do Comitê América Latina do Movimento dos Empresários Franceses (MEDF, equivalente da FIESP no Brasil) dirigiu o café da manhã, hoje, no Hotel Principe de Galles em Paris, reunindo a prefeita paulistana e mais cem homens de negócios franceses e europeus. Em declarações à Agência Estado, na manhã de ontem, de Villepin, que representa no Senado a comunidade francesa radicada no exterior, se disse "extremamente curioso em saber como dona Marta Suplicy define os grandes problemas de São Paulo e os critérios para enfrentá-los, o que ela pensa fazer para garantir a segurança pública na terceira maior aglomeração pública do mundo". Ele está convencido de que a Prefeita se sairá "muito bem" da sabatina a que será submetida pelos empresários, "desejosos de cooperar com seus investimentos, técnicas e "savoir-faire" no desenvolvimento da cidade de São Paulo. E acrescentou: " Os franceses se interessam por todos os serviços que asseguram a vida e o funcionamento da cidade como abastecimento de água, saneamento em geral, eletricidade, setor no qual a França já está muito presente, e tudo mais que possa fortalecer a cidade como o principal centro industrial da América do Sul". Referindo-se às opções políticas de esquerda de Marta Suplicy, o senador de Villepin, filiado ao partido conservador liberal UDF (União Democrata Francesa), disse: "Dona Marta e seu marido também, que são estrelas ascendentes na política brasileira, gozam de uma imagem simpática na França, porque não são sectários. De resto, é no pluralismo democrático, comportando a tolerância no convívio entre pessoas e correntes políticas das mais variadas e controversas sensibilidades ideológicas que a França afronta os grandes itinerários de sua história". Maior cooperação entre as esquerdas - Os encontros desta manhã em Paris entre a prefeita Marta Suplicy e o primeiro secretário do Partido Socialista, François Hollande e à tarde com o -primeiro ministro Lionel Jospin deverão marcar o início de um programa de estreitamento das relações entre as esquerdas francesas e latino-americanas na perspectiva de uma definição "mais democrática e civilizada" do processo de globalização em curso. Foi o que declarou à Agência Estado, ontem, o Secretário Nacional para Relações Internacionais do PS francês, deputado Henri Nallet. Ele classificou o Foro Anti-Davos de Porto Alegre como "a preliminar desta nova fase de cooperação em que o PT, dentro de um consenso previsível das esquerdas brasileiras, poderá ver cumprida sua vocação natural de se tornar membro integral da Internacional Socialista, e não mais um simples observador" (no Brasil, apenas o PDT detém a credencial de membro permanente). Vale notar que o governo francês foi representado no Foro de Porto Alegre por dois ministros de Estado e o PS pela deputada Beatrice Marre, uma das principais líderes da ala feminina do partido. Segundo Nallet, o primeiro ministro Lionel Jospin, paralelamente à cooperação política, "deseja valorizar as administrações de esquerda implicados em projetos de inovação da vida democrática na América Latina, tal como já acontece no Rio Grande do Sul e, sem dúvida, daqui a pouco em São Paulo com dona Marta Suplicy". Ainda no seu entender, os sinais dessa intenção do governo socialista francês de prestigiar a experiência da prefeita paulistana estão evidenciados na maneira calorosa com que os Ministros da Educação, Saúde, Ensino Profissional e Cooperação e seus auxiliares falam dos dossiês relativos a São Paulo e das novas contribuições a serem acrescentadas com a presença de Marta em Paris. "O certo é que", observou Nallet, "há um interesse todo especial não só do governo e do PS , mas do conjunto da sociedade francesa por uma mulher com idéias próximas das nossas, que chega a Paris aureolada como dirigente da terceira maior cidade do mundo e que poderá ser conduzida a assumir, num futuro próximo, responsabilidades ainda maiores em seu País". Na dinâmica da cooperação política, Marta Suplicy participará amanhã do comício de Bertrand Delanoé, candidato socialista à prefeitura de Paris e estará sexta em Lyon, prestigiando a campanha do partido para as eleições municipais.

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