Marta quer governar como Lula

Petista afirma que Alckmin e Kassab são faces da mesma moeda

Clarissa Oliveira, O Estadao de S.Paulo

07 de junho de 2008 | 00h00

No ato partidário que sacramentou sua pré-candidatura à Prefeitura de São Paulo, a ex-ministra do Turismo Marta Suplicy (PT) deixou claro que vai explorar a seu favor a quebra da aliança entre o prefeito Gilberto Kassab (DEM) e o ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB), seus principais rivais na disputa de outubro. "Eles são duas faces da mesma moeda", discursou a petista, recebida numa cerimônia organizada por aliados na Casa de Portugal. "Conheço muitíssimo bem o limite de suas propostas e o baixo alcance de suas idéias."Com um discurso sempre colado na imagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Marta disse que quer retornar ao comando da prefeitura para retomar a "administração marcante" que conduziu entre 2000 e 2004 na cidade. "Eu quero fazer aqui o que o governo Lula está fazendo no Brasil. Melhorar a vida das pessoas. É isso o que realmente importa."Destacando o fato de ser "paulistana até a medula", Marta disse que serão novamente colocados em jogo dois modelos de governar. De um lado, disse, estará a inclusão social e, do outro, a "enrolação social". "Não há lugar para corpo mole e não tem lugar para bate-boca." Marta afirmou ter atendido a uma "convocação" de Lula ao liderar o Ministério do Turismo. Agora, disse retornar a São Paulo para uma cidade "à deriva", comandada por uma "administração incapaz de ter um projeto global". "São Paulo precisa de alguém que saiba pensar, agir, planejar."Com capacidade para mil pessoas, o espaço estava lotado de petistas até em escadarias e corredores de acesso. Ainda assim, o ato foi marcado por ausências. O presidente nacional do PT, deputado Ricardo Berzoini, era esperado, mas não apareceu. No microfone, sua ausência era justificada com o argumento de que participaria da convenção do PSB. O presidente estadual da sigla, Edinho Silva, e o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia, também se ausentaram e disseram ter outros compromissos. O senador Eduardo Suplicy chegou a ser anunciado como outra ausência, mas apareceu no fim da cerimônia. No palco, estavam o senador Aloizio Mercadante e o deputado José Genoino, além de membros do grupo de apoio de Marta, como presidente municipal da legenda, José Américo Dias, e os deputados Cândido Vaccarezza e Devanir Ribeiro. Em meio ao tumulto, Marta teve dificuldades de sair do local e precisou de escolta.

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