Marta pede ajuda de Lula para enfrentar Serra

A prefeita de São Paulo e candidata do PT à reeleição, Marta Suplicy, admitiu hoje a entrada do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na sua campanha, para ajudá-la a conquistar o voto dos paulistanos. "Estamos vendo o momento adequado", afirmou Marta, a terceira a participar da série Eleições 2004 - Candidatos no Estadão. Ela aproveitou para tentar se livrar do incômodo apelido de "Martaxa", que considera injusto. "Não vou fazer mais taxas, porque estou organizando a cidade, chega de medidas impopulares", prometeu a candidata, que durante duas horas defendeu suas realizações e atacou o adversário José Serra (PSDB).Enquanto Lula não aparece na campanha, Marta lembra a todo momento em seu discurso sua proximidade com o presidente e o como ele vem tratando bem São Paulo com verbas. Sua fala geralmente termina com uma crítica ao antecessor Fernando Henrique Cardoso que, segundo ela, não liberou recursos. "Ele (Lula) é meu parceiro, ajudei a elegê-lo e ele está dando a São Paulo o que a cidade merece".A prefeita deixou claro que, se reeleita, vai pedir ainda mais dinheiro para o governo federal, para financiar obras no seu segundo mandato. Uma das faturas que ela já adiantou que pretende apresentar é para construir os 10 CEUs Saúde (policlínicas), uma de suas principais promessas de campanha. Embora não tenha revelado o valor, afirmou que para o orçamento de 2005 foi destinado um aumento de 15% para 17% nos recursos da Saúde para realizar as obras. "Estamos ajustando o orçamento para não prejudicar outras áreas e pretendemos ter o máximo possível de recursos federais", Marta também conta com o "parceiro" Lula para ajudá-la na negociação da dívida de R$ 30 bilhões da Prefeitura de São Paulo. Mais especificamente em relação aos R$ 6,8 bilhões que vencem em maio. A prefeita, porém, aposta na mudança do contrato de renegociação para poder contrair novos empréstimos. "Preciso ter esta mudança".Em sintonia com seu programa eleitoral, Marta repetiu inúmeras vezes que o tucano Serra "não tem propostas". Ela se apresentou à platéia como a prefeita que "trabalhou para os mais pobres". Mas teve o cuidado de dizer que não esqueceu das regiões onde moram os "mais abastados", onde promoveu o "embelezamento, recapeamento de ruas e construção de túneis". Segundo ela, sua gestão lançou a pedra fundamental contra exclusão social.A cada término de explicação sobre suas realizações, Marta retomava o discurso do contra Serra. "O candidato que está empatado comigo não tem projeto e não vai continuar muita coisa", disse, citando principalmente o fim dos Centros Educacionais Unificados (CEUs).Marta se defendeu dizendo que não fez um "discurso do medo" ao afirmar que uma eventual vitória de Serra poderia criar uma crise política no País. A autoria da estratégia foi atribuída a Luis Favre, marido da prefeita. Ela não confirma nem desmente a autoria e recorre aos mesmos argumentos utilizados pelo marido para também atacar o tucano.Perguntada sobre o descontentamento do PT com a estratégia, Marta defendeu o marido. "Ele é um dos coordenadores da minha campanha, muito esclarecido e me dou muito bem com ele", respondeu, soltando uma gargalhada. A prefeita criticou a imprensa por, segundo ela, sempre tentar criar uma crise e garantiu que seu governo nunca enfrentou uma fase difícil.Marta voltou a deixar o candidato do PP, Paulo Maluf, fora do seu palanque num possível segundo turno. Deixou claro, porém, que haverá espaço garantido para os peemedebistas Orestes Quércia e Michel Temer e principalmente para Luiza Erundina (PSB), que amarga um quarto lugar nas pesquisas e centra sua campanha em críticas à prefeita.Não se incomodou com uma pergunta sobre sua "campanha milionária" e confessou ficar contente com a abundância de recursos. "Deus me livre ter aquela campanha a pão e água que o PT sempre fez", disse, arrancando gargalhadas da platéia. Reclamou do seu salário de R$ 9 mil reais e disse que mantém o padrão de vida vendendo o patrimônio pessoal. "Não dá para viver com salário público", garantiu.A prefeita demonstrou boa memória para enumerar suas realizações, mas a lembrança falhou quando perguntada sobre assuntos que não eram do seu interesse como, por exemplo, o valor gasto para contratação de 3 mil funcionários sem concurso. Também foi esquecido o preço de cada coqueiro plantado na cidade, alvo de crítica dos tucanos. Afirmando não ser agrônoma, Marta fez um esclarecimento. "Gente, não são coqueiros são Pal-me-i-ras Im-pe-ri-a-is", ensinou.

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