Marta fortalece união com Lula e busca classe média

Para o segundo turno, Marta adota nova estratégia para quebrar a dicotomia ?pobres contra ricos?

Clarissa Oliveira e Vera Rosa, O Estadao de S.Paulo

06 de outubro de 2008 | 00h00

Encerrado o primeiro turno da eleição paulistana, a petista Marta Suplicy já tem seu plano traçado para brigar com o prefeito e candidato à reeleição Gilberto Kassab (DEM). Enquanto sua campanha se prepara para nacionalizar a disputa e fisgar a classe média, a candidata aceitou ontem tocar no assunto pela primeira vez. Sem citar o prefeito, ela disse que a receita para sair vitoriosa da disputa será a comparação de gestões e biografias."No segundo turno, vamos continuar com nossas propostas, que são tão boas que foram até copiadas pelos opositores", disse Marta, numa referência a Kassab, a quem costuma acusar de copiar suas propostas de campanha. "E vamos mostrar como foi nossa gestão, comparar com a gestão de quem ganhar e mostrar também a trajetória política de cada um."Com dificuldade em angariar adesões de partidos para a nova etapa, o comando da campanha de Marta tentará mostrar a diferença entre dois projetos que vão se enfrentar em 2010, nas eleições para o governo paulista e a Presidência. "Tenho um parceiro muito importante que é o presidente da República, que não é um parceiro de ocasião. Como ele mesmo colocou, há 30 anos somos parceiros, em horas difíceis e horas boas. E temos projetos semelhantes, pensamos a mesma coisa, queremos a mesma coisa para o nosso povo", afirmou, depois de confirmada sua presença no segundo turno.A estratégia, porém, não se resume a destacar que de um lado está o PT, com o poderoso apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e de outro a parceria DEM-PSDB, que tem o governador José Serra como virtual candidato ao Planalto. A idéia é exibir efeitos práticos desse confronto na vida do cidadão. Para atrair o chamado "cinturão dos remediados", revoltado com a criação de taxas por Marta, a adoção do IPTU progressivo e o caos na saúde, o PT vai pedir mais uma chance à petista com novo argumento. Ontem, Marta já dava sinais da nova abordagem. Após dizer que fez uma campanha "limpa, clara e transparente", a petista deixou claro que fará o possível para colocar-se como administradora competente, que poderia ter feito um governo ainda melhor se o contexto de sua administração não fosse tão adverso. "O grande administrador aparece quando, com muita dificuldade, faz coisas boas pela cidade", afirmou, acrescentando que tinha R$ 10 bilhões a menos no Orçamento em comparação à atual gestão. "Vamos ver o que se faz na adversidade e o que se faz na bonança."Na campanha, o clima é de muita apreensão com a subida de Kassab e o confronto tem sido classificado como de vida ou morte. A avaliação é de que as propostas para atrair a classe média - como a da internet sem fio gratuita e a da isenção do Imposto Sobre Serviços (ISS) para autônomos - pouco adiantaram até agora. Por isso, o cenário nacional entrará no ar.Sob a coordenação do marqueteiro João Santana, o programa de Marta tentará quebrar a dicotomia "pobres contra ricos", que marcou a campanha derrotada de 2004.Lula não poupará esforços para eleger Marta e já avisou que virá quantas vezes for preciso a São Paulo. O duelo da ex-prefeita com Kassab é uma prévia da competição entre o candidato que terá apoio de Lula e o concorrente da aliança entre PSDB e DEM para a Presidência. Se Kassab vencer, Serra ganha musculatura para 2010. Já a vitória de Marta fortalece o projeto de Lula, que tem como candidata preferida a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff (PT). "O desfecho da eleição em São Paulo tem dimensão simbólica para 2010 e é importante que o PT tenha grande dose de unidade", diz o deputado José Eduardo Martins Cardozo (SP), secretário-geral do PT. "Nosso desafio é exibir as diferenças entre projetos implantados em São Paulo e no Brasil e o que foi feito na gestão Serra-Kassab", argumenta o presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP). FRASESMarta SuplicyCandidata do PT"No segundo turno, vamos continuar com nossas propostas, que são tão boas que foram até copiadas pelos opositores""E vamos mostrar como foi nossa gestão, comparar com a gestão de quem ganhar e mostrar também a trajetória política de cada um"

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