Marta foca classe média e fala em baixar tributos

Petista admite que taxas como a do lixo e a da iluminação pública [br]contrariaram parte da população e influíram em sua derrota em 2004

Clarissa Oliveira, O Estadao de S.Paulo

06 de junho de 2008 | 00h00

Numa demonstração de que fará o possível para reconquistar a classe média, a ex-ministra e ex-prefeita Marta Suplicy (PT) afirmou ontem que planeja baixar a carga tributária em São Paulo caso vença a eleição. A petista, que na sua gestão ganhou o apelido de "Martaxa" pelos tributos que criou, admitiu que eles contribuíram para sua derrota na tentativa de reeleição, em 2004, para o hoje governador José Serra (PSDB)."Tenho essa percepção clara", afirmou ela, que deixou na quarta-feira o Ministério do Turismo e ontem teve o primeiro dia em São Paulo como pré-candidata. "Já mandei estudar se, com o Orçamento que a prefeitura tem hoje, que é duas vezes maior do que tive naquela época, poderíamos diminuir a tributação." A ex-prefeita, que foi recebida por entidades do setor turístico num almoço, afirmou que é cedo para dizer onde haveria margem para cortes.Ela admitiu que taxas como a do lixo e da iluminação pública deixaram parte da classe média "desgostosa". Ao justificar sua criação, disse ter assumido a cidade no fim do governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB). "Tínhamos o País com uma enorme recessão", afirmou, ressaltando que precisava financiar, por exemplo, uniformes para crianças irem à escola."Temos hoje uma condição na cidade muito diferente." Ela aproveitou para alfinetar os adversários, o prefeito Gilberto Kassab (DEM) e o ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB). "Fizemos muito com muito pouco. E eles fazem muito pouco com muito." Marta afirmou que ainda não ouviu nenhuma proposta dos dois. E que Alckmin "continua brigando" pela candidatura em seu próprio partido.No fim da tarde, Serra atacou a petista. "O PT é contra o Metrô, sempre foi. A prova é que a Marta nunca colocou um tostão furado no Metrô." Ele disse que o PT "tem ciumeira" da boa gestão tucana em São Paulo, referindo-se ao governo e à sua passagem pela prefeitura, e só quer atrapalhar. "Tudo que puderem atrapalhar, eles vão atrapalhar. Sempre jogam, e não vão mudar agora, no quanto pior melhor."APOIONo almoço, Marta disse que terá ao seu lado o presidente Lula, apesar de ele já ter declarado que ficará fora da disputa onde sua base estiver dividida. "Ele virá a São Paulo quantas vezes forem necessárias", garantiu. Entre os partidos que integram a base no Congresso, o PMDB já se aliou a Kassab. O PC do B tenta emplacar a candidatura do deputado Aldo Rebelo e diz ter apoio do PSB e do PRB.Lula, segundo a pré-candidata, já garantiu apoio ao projeto montado pelo Ministério do Turismo de melhorar a mobilidade urbana até a Copa de 2014. Para São Paulo, estão previstos 65 km de linhas de metrô e 279 km de corredores de ônibus.Até agora isolada na negociação de alianças, Marta negou que esteja preocupada. "Quem está em primeiro lugar nas pesquisas, com 30%, não se sente isolada nem sozinha." A petista disse que continuará as conversas com partidos do bloquinho no Congresso, que inclui o PDT, o PC do B, o PSB e o PRB. COLABOROU ELIZABETH LOPES

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