Marta e Alckmin afirmam que a pesquisa reflete trabalho passado

Petista e tucano usam gestões antigas para justificar números do Ibope, contratado pelo ?Estado? e pela TV Globo

Niza Souza, Sílvia Amorim e Carlos Marchi, O Estadao de S.Paulo

21 de julho de 2008 | 00h00

A promessa de voto é o reconhecimento do trabalho passado. Foi com essa confiança que a ex-prefeita Marta Suplicy (PT) e o ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB) reagiram aos resultados da pesquisa Ibope contratada pelo Estado e pela TV Globo, divulgada ontem. "Estar na frente é reconhecimento pelo que fiz na prefeitura", afirmou Marta. "É uma enorme prova de confiança do povo em meu trabalho como governador", disse Alckmin. O prefeito Gilberto Kassab (DEM), que apareceu com 10%, comentou que a pesquisa mostra "a largada da campanha" e disse que está muito confiante em sua vitória.Na pesquisa, a petista teve 34% e o tucano, 31%, em situação de empate técnico. Na simulação de segundo turno, a pesquisa mostrou que Alckmin bateria Marta por 47% a 43% e venceria Kassab por 58% a 23% e Marta ganharia de Kassab por 51% a 35%. Ontem, Marta fez dois encontros com militantes na zona leste, Alckmin circulou pelo Grajaú e Kassab foi a um evento na Sala São Paulo para homenagear as vítimas do acidente da TAM.URNAS ABERTASMarta confessou ter gostado do resultado, embora procurasse conter a euforia. "Pesquisa é momentânea", ressalvou, observando: "Eleição é ganha quando as urnas são abertas", salientou, lembrando que daqui a uma semana "o resultado pode ser diferente". Ela disse que os números foram favoráveis à campanha que apenas inicia, pois ficou quatro anos "sem ter presença na cidade".Daqui por diante, afirmou, vai trabalhar nas propostas, conversar com o povo: "Isso é que vai me fazer ganhar". Marta comentou a forte influência do voto de periferia em sua intenção de voto: "Minhas propostas são para a cidade inteira, mas não tenha dúvida de que as classes pobres terão prioridade em meus programas."A candidata petista não se mostrou preocupada por ter a mais alta rejeição dos candidatos competitivos. "Não tenho razão para estar preocupada com isso. Vou trabalhar nas minhas propostas, vou aprofundar as discussões com a militância e com os eleitores e isso é que vai me fazer ganhar", disse. PROVA DE CONFIANÇAAlckmin disse receber a pesquisa "com muita alegria", comentou. Ele entende que há uma polarização cada vez mais evidente entre PSDB e PT. A partir de agora, sua estratégia será reforçar a campanha na zona leste e na periferia da zona sul. "A pesquisa mostra que nós já estamos na frente nas zonas norte, oeste, centro e na sul 1 (bairros menos afastados). Então, nós vamos concentrar nossos esforços na sul 2 (periferia da região) e na zona leste." Ele cumpriu o que disse. Anteontem, passou o dia na zona leste; ontem, caminhou pelo Grajaú, distrito em que a adversária do PT tem ampla maioria de votos. Para a coordenação da campanha tucana, o alvo deve ser reverter os votos hoje atribuídos ao PT e não disputar a divisão de votos com os do prefeito Gilberto Kassab (DEM). Aliados do ex-governador acreditam que, por terem um eleitorado bastante parecido, a migração de votos do prefeito se dará para ele automaticamente, ainda no primeiro turno. Embora tecnicamente empatado com Marta no segundo turno, Alckmin considerou que leva vantagem. "O que pesa é a rejeição mais baixa." Ele tem o menor índice (13%) em comparação aos principais candidatos, indicou o Ibope.Segundo tucanos, essa será uma eleição de propostas iguais e, portanto, pesarão na disputa características pessoais do candidato. No segundo turno, alckmistas acreditam que será decisiva a participação do governador José Serra (PSDB) para Alckmin e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para Marta.Na campanha de rua Alckmin já tem colocado em prática essa associação, embora Serra não esteja presente no seu palanque. Sempre que ouve alguma reclamação de morador que compete ao governo estadual resolver, Alckmin solta a seguinte frase: "Vou falar com o Serra". Não são poucas as vezes que o tucano é confundido com o governador. QUANDO A TV CHEGARKassab não se impressionou com o índice alcançado na pesquisa. Ele admite que seus rivais são bem mais conhecidos do que ele e, portanto, têm mais visibilidade. "A campanha está apenas começando. Quando começar a propaganda na TV, o eleitorado vai me conhecer."Mas ele ficou feliz com a confirmação de que sua gestão na prefeitura tem boa avaliação da população. "Quando a TV começar, o eleitor vai associar a boa gestão que ele aprecia ao candidato. Aí eu vou ganhar."

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