Marta diz que ajuda metrô, mas quer mudar trajeto

PT chegou a redesenhar todo o traçado da futura linha 6, contrariando plano de expansão executado desde início da atual gestão pela empresa

Clarissa Oliveira, O Estadao de S.Paulo

27 de agosto de 2008 | 00h00

A candidata do PT à prefeitura paulistana, Marta Suplicy, começou nos últimos dias a distribuir pela cidade uma nova leva de panfletos, em que deixa clara a aposta na expansão do metrô como uma das principais bandeiras da campanha. Os folhetos, entretanto, trazem um mapa com uma proposta própria de expansão da rede, que contraria o plano executado desde o início da atual gestão pela Companhia do Metropolitano de São Paulo (Metrô).A maioria das diferenças são extensões de linhas, como a criação de uma estação adicional da linha 4 (Amarela) na Vila Maria. Mas o PT chegou a redesenhar todo o trajeto da futura linha 6. Marta quer que ela saia da Vila Nova Cachoeirinha, na zona norte, e vá até a estação Conceição, na linha 1 (Azul). O Metrô trabalha com o plano de ir da Freguesia do Ó à estação São Joaquim da linha 1.As contradições aparecem em meio às promessas de Marta de investir R$ 490 milhões por ano na rede, se eleita. A petista diz contar com o compromisso do governo federal de disponibilizar a mesma quantia. O governador José Serra (PSDB), segundo ela, teria de desembolsar R$ 980 milhões anuais.O Metrô tem seu próprio plano de investimentos. A empresa diz que a rede receberá mais de R$ 11 bilhões até 2010, para dar andamento ao atual plano de expansão. Para o projeto da linha 6, em especial, a companhia contará com R$ 75 milhões da prefeitura, comandada pelo candidato à reeleição Gilberto Kassab (DEM). O dinheiro, segundo a companhia, foi disponibilizado e aguarda trâmites de liberação. Outros R$ 200 milhões da prefeitura já entraram no caixa da empresa. O coordenador do programa de governo de Marta, Jorge Wilheim, reconhece as diferenças. Ele diz que o PT se baseou no projeto do Metrô para apresentar a sugestão de ampliação. A idéia, disse o urbanista, levou em conta estudos e análises de especialistas para garantir o "conceito de rede metropolitana".Wilheim negou que as visões contraditórias dificultem a parceria. "Ninguém é anjo, mas também ninguém é burro", disse, ressaltando que o Estado tem interesse em receber recursos. Segundo ele, tudo será discutido após a eleição. "Vamos negociar e chegar a um acordo que será bom para a cidade."

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.