Marta deixa ministério no dia 5 de junho

Lula diz à petista que ela não precisa ter pressa para sair, porque seu nome já é conhecido em SP

Vera Rosa, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

14 de março de 2008 | 00h00

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva acertou ontem com a ministra do Turismo, Marta Suplicy (PT), a sua saída para a campanha à Prefeitura de São Paulo. Ela deixará o posto perto de 5 de junho, prazo máximo imposto pela Lei Eleitoral, mas poderá anunciar a candidatura à sucessão do prefeito Gilberto Kassab (DEM) antes dessa data. A expectativa é de que o próprio Lula dê o pontapé inicial da campanha, em 4 de abril, quando os dois estarão no mesmo palanque, no Guarujá (SP), para o lançamento de um programa de desconto em viagens para idosos, na baixa estação.Na conversa de ontem, o presidente disse à ministra que ela não precisa ter pressa para deixar o posto, porque seu nome já é conhecido. Argumentou, ainda, que a divisão do PSDB e o desentendimento de uma ala do tucanato com Kassab favorecem a candidatura de Marta, que foi prefeita da capital no período de 2001 a 2004, mas não conseguiu se reeleger.O marqueteiro da campanha da prefeita deverá ser o publicitário João Santana, ex-sócio de Duda Mendonça que atua como uma espécie de consultor do Planalto. Santana avalia que quanto menos a ministra entrar na linha de fogo, agora, melhor. Pesquisas em poder do QG petista indicam que a situação de Marta melhorou depois do racha entre tucanos e integrantes do DEM, em São Paulo.DIAGNÓSTICOA decisão de Geraldo Alckmin (PSDB), que resolveu enfrentar o governador José Serra e concorrer à prefeitura, animou o Planalto e a cúpula do PT. Em São Paulo, vereadores e deputados do PT já se aproximam de Serra e Kassab, confiantes em um pacto anti-Alckmin nas eleições, caso o ex-governador vá para o segundo turno.Além de Marta, o ministro da Previdência, Luiz Marinho, também deixará o posto em junho para disputar a Prefeitura de São Bernardo do Campo, no ABC paulista. Lula ainda não definiu quem serão os substitutos de Marta e Marinho, mas a abertura de duas vagas na Esplanada, em menos de três meses, já assanha os partidos aliados e promete nova temporada de embates na coalizão.O PT já avisou que não abrirá mão dos cargos, mas o PTB, o PSB, o PP e até mesmo o PMDB - à frente de seis ministérios - estão de olho nas cadeiras.Depois de conversar com o presidente e assinar acordo com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) para linha de crédito de US$ 1 bilhão ao turismo, Marta embarcou para Salvador, onde participaria de jantar com Condoleezza Rice, secretária de Estado norte-americano. No dia 18, quando completa 63 anos, ela embarcará para a China, sede das Olimpíadas. Será sua última grande viagem como ministra.

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