Marta defende nome de Ciro para governo de São Paulo

Segundo ela, 'é melhor um cabra arretado do que um picolé de chuchu (o tucano Geraldo Alckmin)'

Elizabeth Lopes, Agencia Estado

09 Fevereiro 2010 | 16h04

A ex-prefeita de São Paulo Marta Suplicy, que já havia manifestado seu descontentamento com a hipótese de o PT não ter candidato próprio ao governo de São Paulo e com a eventual candidatura do deputado Ciro Gomes (PSB), saiu nesta terça-feira, 9, em defesa do nome do deputado para governar o Estado.

 

"Eu quero deixar aqui uma coisa pra vocês bem clara, é melhor um cabra arretado (Ciro) do que um picolé de chuchu (o pré-candidato tucano Geraldo Alckmin)", disse ela, em discurso realizado na posse do novo diretório municipal paulista da legenda.  

 

A ex-prefeita, que trajava um vestido vermelho, fez um discurso inflamado de cerca de dez minutos, com críticas às gestões do governador e presidenciável tucano José Serra e de seu aliado, o prefeito Gilberto Kassab (DEM).

 

Segundo ela, São Paulo será fundamental para eleger não apenas um governador do partido, mas também a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, pré-candidata da sigla à sucessão presidencial: "Com cabra arretado ou candidato próprio, nós vamos ganhar em São Paulo e vamos eleger a Dilma."  

 

Em outubro do ano passado, Marta chegou a dizer que a candidatura Ciro não tinha nada a ver com São Paulo, por defender o nome do deputado Antonio Palocci (PT-SP). Entretanto, Palocci desistiu de concorrer ao governo paulista e o PT ficou sem um nome competitivo para essa disputa.

 

"O PT vive em São Paulo o que o PSDB está vivendo em nível nacional", atesta Marco Antonio Carvalho Teixeira, cientista político e pesquisador da Pontifícia Universidade Católica (PUC) e da Fundação Getúlio Vargas (FGV).  

 

Na avaliação de Carvalho Teixeira, a falta de um nome competitivo em São Paulo é um dos grandes desafios que o PT enfrenta neste momento. E a defesa do nome de Ciro por Marta é feita num momento em que o deputado dá mostras de que não pretende entrar na disputa ao governo paulista, mas sim disputar a Presidência da República.

 

Com relação aos problemas enfrentados pelos tucanos na campanha majoritária, o cientista político reitera que eles ainda não levaram a público o nome de quem vai disputar a sucessão de Luiz Inácio Lula da Silva.  

 

"Em nível nacional, o PSDB está sem discurso e sem interlocutor, tanto que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso teve de sair de novo a campo para defender sua administração." Para Carvalho Teixeira, se a eleição tender mesmo para o plebiscito e para a comparação de gestões (Lula x FHC), os tucanos devem ficar em desvantagem: "O Lula, que tem um índice de aprovação muito elevado e sabe traduzir para uma linguagem popular os números de sua gestão, sai ganhando se essa briga for levada aos palanques nessas eleições."

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