Marta defende governo Lula e desafia tucanos

Sete ministros de Estado prestigiaram a convenção municipal que homologou hoje a candidatura à reeleição da prefeita de São Paulo, Marta Suplicy, demonstrando o peso nacional que a disputa terá para o PT, o partido do presidente Luiz Inacio Lula da Silva. Em seu discurso, Marta assumiu abertamente o tom nacional da disputa logo em suas primeiras declarações. "O PT e os partidos coligados não recusarão nenhuma tema, seja nacional, estadual ou internacional", afirmou. A prefeita disse ainda que não se furtará a defender "benefícios que um operário metalúrgico, presidente da República" trouxe ao Brasil. Ela citou a retomada do crescimento, a redução dos juros e outros indicadores que mostrariam o quanto o País está melhor hoje.Antes de Marta, o ministro ministro-chefe da Secretaria de Comunicação de Governo e Gestão Estratégica, Luiz Gushiken, já havia sinalizado qual é a expectativa do governo Lula sobre a disputa paulistana: "Essa eleição vai ser uma guerra." O ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, foi além, usando seu habitual estilo direto. "Começou um zum zum zum dos tucanos, arrogantes como sempre são". Ele ainda tentou desvincular a disputa municipal de temas nacionais, mas não se conteve e lembrou que os tucanos já perderam campanhas municipais em São Paulo, quatro vezes, citando Fernando Henrique Cardoso, Aloysio Nunes Ferreira, José Serra e Geraldo Alckmin, enquanto o PT já elegeu Luiz Erundina e Marta Suplicy. "Eles precisam ter menos arrogância, porque nós elegemos duas prefeitas e vamos eleger Marta novamente", afirmou.Para Dirceu, o que está em jogo de fato na disputa paulistana é a coalizão que sustenta o presidente Lula. Ele acusou o PFL e o PSDB de pretenderem desorganizar a base de apoio construída pelo PT no Congresso nacional. "Se querem comparar o governo do presidente FHC com o do presidente Lula, nos aceitamos o desafio e também vamos derrotá-los nessa comparação", disse José Dirceu.Num discurso recheado de promessas como a de dobrar o numero de CEUs (Centros Educacionais Unificados), caso conquiste o segundo mandato, Marta disse que o PT está unido e já não se "ouvem urubus". Coincidentemente, o secretário-geral de Organização do partido, Sílvio Periera, que meses atrás disse, em entrevista, que seria difícil a reeleição de Marta, não foi citada pela prefeita entre os petistas presentes à convenção.Platéia esvaziada - A mega-convenção do PT teve estilo das campanhas eleitorais nos Estados Unidos, reunindo mais de 8 mil pessoas em seu clímax. Mas a prefeita discursou para uma platéia praticamente vazia. Um dos motivos foi o atraso do evento, em consequência dos congestionamentos nas ruas da Zona Norte, provocados pela "Marcha para jesus". A segunda razão, de acordo com vários militantes que deixavam o Expo Center Norte antes ou durante o discurso de Marta, iniciado às 18h, era o horário marcado para a saída dos ônibus que os trouxeram da periferia para a festa.Bem ao estilo Duda Mendonça, o marqueteiro do PT, Marta entrou no pavilhão, caminhando em direção ao palco, onde estavam as autoridades. Percorreu mais de 100 metros, acompanhada apenas do marido, o franco-argentino Luis Favre, sem a proteção de seguranças. Abraçou, beijou e cumprimentou os militantes que a cercaram. Usava um terninho vermelho queimado, e mostrava euforia, enquanto uma chuva de papel picado caia sobre o casal. Ao som do jingle, que reafirmava os slogans "Marta faz bem feito" e "Marta, uma mulher de coragem" que tentam reduzir a alta rejeição, de mais de 40%, que a petista enfrenta na disputa pela reeleição.Dois momentos altos da convenção foram familiares. O filho mais velho da prefeita, o único presente, o roqueiro Supla foi aclamado e teve de dar dezenas de autógrafos para os jovens militantes. Saiu mais cedo, já que daria um show, mas antes deu seu recado: "Boa sorte e um beijão para a senhora. E não fica com essa cara de mãe brava". Outro momento de destaque foi o discurso do ex-marido de Marta, o senador Eduardo Suplicy. Emocionado e com voz embargada, ele mencionou o carinhos dos filhos pela mãe e afirmou: "Eu também continuarei sempre a admirá-la e respeitá-la e é por isso que eu vim aqui hoje dar essa força". Os dois se abraçaram, felizes.Todos os momentos da convenção foram devidamente registrados para uso futuro no programa eleitoral de Marta no horário gratuito na TV. Por diversas vezes, o apresentador do ato pediu aos militantes que abaixassem as bandeiras para não atrapalhar o trabalho dos câmaras de TV. Quase tudo saiu como o previsto no script, com exceção para uma gafe política do apresentador. Ele citou o ministro Aldo Rebelo como Coordenador Político da Casa Civil. Tentou consertar e disse que, na verdade, ele é Secretário de Comunicação. Aldo demonstrou não ter gostado. E coube ao ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, que discursou logo em seguida, sair da saia justa. Ele identificou corretamente o cargo ocupado por Aldo, que sorriu agradecido.

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