Marta autoriza aumento para primeiro escalão

Parte dos R$ 78 milhões que a Prefeitura de São Paulo vai economizar com a demissão de funcionários será utilizada para melhorar os salários de pessoas que exercem cargos de confiança na própria administração municipal. No total, R$ 8 milhões por ano serão distribuídos para até 1.072 pessoas, incluindo secretários municipais, administradores regionais e funcionários ligados ao primeiro e ao segundo escalões do governo municipal. A prefeita Marta Suplicy (PT) não ganhará o benefício. A verba, que representará acréscimo de 35% a 40% para os cargos de confiança, será considerada verba de representação. "Isso não acarretará problemas futuros para a Prefeitura, como gastos com previdência e indenizações", afirmou a secretária municipal da Administração, Helena Kerr do Amaral. Segundo ela, a medida serve para atrair profissionais qualificados para o serviço público. "Estávamos deixando de conquistar vários quadros para funções estratégicas", justificou. Ela lembrou, por exemplo, que o salário de um administrador regional era de R$ 3.000,00, o que dificultava encontrar interessados. "Imagine ganhar isso para conduzir uma regional." Com o aumento, um secretário passará de R$ 4.700,00 para R$ 6.000,00, mesmo salário da prefeita e dos secretários estaduais de São Paulo. Em Campinas, conforme dados da Prefeitura de São Paulo, um secretário chega a ganhar R$ 6.600,00 de salário bruto. Em Guarulhos, esse valor atingiria R$ 7.250,00. Na cidade do Rio de Janeiro, em contrapartida, o salário para cargos do primeiro escalão é de R$ 4.500,00. A medida também serviria para aproximar os salários da administração dos de mercado. A Secretaria da Administração destaca que o salário médio para um gerente ou diretor-administrativo numa empresa privada, mesmo numa área de manutenção, supera R$ 6.500,00. Decreto - De acordo com a secretária, a Prefeitura não pretende fazer como em administrações anteriores, em que os funcionários de cargos mais altos eram contratados pela Companhia de Processamento de Dados (Prodam) ou pela Anhembi Turismo e Eventos e transferidos para outros órgãos. "Isso criava muitos problemas nas equipes", afirmou. O benefício será concedido por meio de um decreto, que deverá ser assinado ainda esta semana pela prefeita. No mesmo dia, será enviado um projeto de lei para a Câmara Municipal para efetivar o abono. Em relação aos demais funcionários municipais, a secretaria ainda estuda outro aumento ou benefícios, além dos 3 26% de rejuste que serão incorporados na folha de pagamento. O aumento ocorrerá em três parcelas a serem pagas em fevereiro, março e abril. Fantasmas - Mas Marta Suplicy (PT) avisou ontem que as demissões na Prefeitura vão continuar. "Aos poucos estamos percebendo alguns fantasmas que estavam bem escondidos", ironizou a prefeita durante visita à região de Perus, zona oeste da capital paulista. A brincadeira foi uma alusão aos cortes realizados em diversos órgãos, incluindo a empresa de economia mista Anhembi Turismo e Eventos, a Empresa de Processamento de Dados do Município (Prodam) e a Companhia Metropolitana de Habitação (Cohab). Desde 1999, o Ministério Público Estadual (MPE) e a Polícia Civil investigam a existência de funcionários fantasmas nos órgãos da administração paulistana. "Vai haver mais cortes porque cortamos o que era mais óbvio", disse Marta. Ela preferiu não adiantar em que lugares haveriam futuras demissões. "Só uma limpadinha no Anhembi e na Prodam deu para nós economizarmos mais de R$ 70 milhões", completou.

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