Marta atribui dimensão nacional às eleições de SP

A prefeita de São Paulo, Marta Suplicy, defendeu a política econômica do ministro Antonio Palocci (Fazenda), reiterou que o PT ainda é o partido da ética e acusou a oposição de querer politizar o que deveria ser objeto de uma investigação policial o caso Waldomiro Diniz, ex-assessor do ministro José Dirceu, da Casa Civil, acusado de prevaricação. Em seu discurso de cerca de trinta minutos no 15º Encontro Municipal de São Paulo, que homologou a chapa Marta Suplicy/Rui Falcão para concorrer às eleições municipais, a prefeita atribuiu uma dimensão nacional às eleições paulistanas, as primeiras após a chegada do PT ao Planalto. "O pleito será uma manifestação das preocupações mais gerais da população, como emprego, segurança e ética, e não apenas de questões locais", afirmou.Na tentativa de defender a política econômica, a prefeita incluiu em seu discurso temas tipicamente federais, como ampliação de exportações, investimentos em saneamento e infra-estrutura, parcerias público-privadas para ampliar investimentos e microcrédito. E citou, inclusive, questões como déficit comercial, endividamento externo, relação dívida/PIB, credibilidade internacional, explosão inflacionária e aumento da carga tributária para lembrar a herança econômica que o PT recebeu de seus antecessores em Brasília. Foi também um recado aos petistas que, no último dia 5, lançaram um documento criticando a política econômica do governo federal. "Não podemos deixar que esse jogo de pressões ecoe em nossas fileiras, fazendo coro às críticas de ocasião", disse.Marta não citou diretamente a sigla PSDB em seu discurso, mas ao dizer que a oposição não se resignou a perder o poder após oito anos no comando do País, deixou claro que seu recado tinha um alvo único e certo. "Utilizando o desvio de conduta de um assessor da Casa Civil, (eles, da oposição) declaram culpado o nosso partido, como se tivéssemos cometido um crime coletivo. Fazem questão de ignorar os procedimentos normais de investigação, como está fazendo nosso governo federal; querem politizar uma investigação policial que deve ocorrer normalmente e se precipitam em condenar e enlamear o PT. Namoram a idéia perigosa de que a democracia brasileira não tem futuro, que todos os partidos e todos os políticos são corruptos e condenáveis. Somos sim o partido da ética, republicanos e defensores da transparência e da consolidação das instituições democráticas em nosso país. (...) Da mesma maneira e com a mesma hipocrisia com que nos atacam na questão da ética, procedem com os problemas do desemprego e da violência, procurando dar um choque de amnésia no povo brasileiro. Depois do esqueçam o que eu escrevi, vem a fase esqueçam que eu governei", ironizou a prefeita, arrancando aplausos da platéia formada por delegados do partido.

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