Marta agora acusa prefeito de ser gestor sem resultado

Petista critica Kassab e diz que ''estar fazendo não significa fazer''

Vera Rosa e Silvia Amorim, O Estadao de S.Paulo

21 de outubro de 2008 | 00h00

Um dia depois de ser provocada pelo prefeito Gilberto Kassab (DEM), que tenta grudar o escândalo do mensalão na campanha petista, Marta Suplicy (PT) decidiu revidar o ataque. "Eu não tenho nada a ver com mensalão e usar isso para tentar me contaminar é jogar pedra na água", disse ela, após cumprimentar eleitores, na tarde de ontem, no Campo Limpo, zona sul.No debate de domingo na TV Record, Kassab afirmou que Marta nunca se afastou da "turma do mensalão", numa referência à crise que atingiu o governo Lula e dizimou a cúpula do PT, em 2005. Irritado com as insinuações, o comando da campanha de Marta resolveu intensificar o bombardeio na direção do prefeito, que lidera as pesquisas de intenção de voto."Associar Marta ao mensalão é tão absurdo quanto dizer que Kassab é ligado ao ex-deputado Hildebrando Paschoal, que era do PFL, o partido do prefeito, hoje batizado de DEM", devolveu o senador Eduardo Suplicy (PT). Hildebrando foi preso em 1999, acusado de envolvimento com o narcotráfico e participação em grupo de extermínio, no Acre.O comentário de Suplicy sinaliza o tom mais agressivo da campanha, a cinco dias da eleição. Nos últimos programas eleitorais de Marta, Kassab será apresentado como um prefeito preguiçoso, que adia indefinidamente a solução dos problemas."Ele não é muito chegado ao trabalho", provocou o deputado Carlos Zarattini (SP), coordenador da equipe petista. "Com essa pessoa é tudo assim: estou construindo, estou fazendo. Ué, e quando vai ter resultado?", perguntou a candidata. "Estar fazendo não significa fazer."Depois de chamar Kassab de "duas caras" e "demo", Marta agora só se refere ao adversário como "a pessoa". "Essa pessoa que vai visitar o Expresso Tiradentes, parecendo dar apoio, é a mesma que retira 37% do orçamento para o transporte. Em quatro anos, ele não conseguiu fazer a licitação de uma grande obra nessa cidade", insistiu.Apesar da vantagem de Kassab, Marta tentou demonstrar otimismo. "Estamos lutando como leão", disse a petista a eleitores. À noite, em discurso para trabalhadores do sistema de transporte alternativo, apelou para o futebol: "Pode estar 4 a 0, mas temos muitos Pelés (militantes) para fazer gols. Vamos fazer muitos gols até o dia 26." Na prática, porém, o quadro é dramático para o PT.Cercado por militantes, o senador Suplicy, que acompanhou Marta no Campo Limpo, procurou reverter a situação no gogó: acomodou um pequeno banco diante de uma loja de roupas para crianças e, microfone em punho, pediu votos para a ex-mulher. Falou sobre crise internacional, Bilhete Único e, como não poderia deixar de ser, sobre seu tema preferido, o programa de garantia de renda mínima. Quando terminou, Marta já havia ido embora.Ao descer do banquinho, Suplicy quase caiu. Foi amparado pelo deputado José Genoino (PT-SP). Da janela de um ônibus, um eleitor gritou: "Eu te amo, Suplicy!". "Obrigado", respondeu ele, sem ver quem era o fã. Em seguida, perguntou para os repórteres: "Era homem?" Diante da resposta positiva, caiu na gargalhada.

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