Marta admite que PT negocia sua candidatura

A ministra do Turismo, Marta Suplicy (PT), admitiu ontem que aliados já articulam sua candidatura à Prefeitura de São Paulo, mas buscou eximir-se da responsabilidade pelas negociações. Questionada se ainda nega a candidatura mesmo em meio a tantas reuniões protagonizadas por seu grupo político para tratar do assunto, a ex-prefeita disse ignorar as conversas e afirmou tratar-se de iniciativa independente de aliados. Em seguida, admitiu ter tomado conhecimento delas, mas negou que tenham ocorrido sob sua orientação. "Eu também não sei o que eles estão fazendo. Porque, como eu não sou candidata, esse trabalho está sendo feito de acordo com a vontade de cada um", declarou. Indagada se as conversas ocorrem, então, sem sua orientação ou seu conhecimento, acrescentou: "Certamente, sem orientação. Conhecimento, de vez em quando, um ou outro comenta alguma coisa."Sobre sua reação diante desses comentários, Marta disse que apenas "escuta". "É o que eu tenho feito. Eu só escuto."Marta esteve ontem em São Paulo para a divulgação de uma pesquisa sobre o impacto da realização de eventos internacionais no turismo brasileiro. Esse foi o segundo evento da ex-prefeita na capital paulista em menos de uma semana. Na quarta-feira da semana passada, ela participou das comemorações do Dia da Alegria e visitou um parque de diversões na cidade. TSE Na visita de ontem, Marta também se mostrou pouco preocupada com a notícia de que a rejeição de suas contas partidárias de 2004 poderia pôr em risco o registro de sua candidatura. Datada de fevereiro, a Resolução 22.715 do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinou que o candidato que não tiver as contas de campanha aprovadas ficará impedido de obter a certidão de quitação eleitoral, necessária ao registro da candidatura. O tribunal ainda não determinou se a regra valerá somente para as contas da campanha eleitoral deste ano ou se afetará candidatos com pendências anteriores que pretendem concorrer em outubro."Acho que isso vai ser resolvido e não vai criar maiores problemas", disse a ministra, sem se aprofundar. Marta teve as contas da campanha de 2004 rejeitadas pela Justiça Eleitoral.

Clarissa Oliveira, O Estadao de S.Paulo

15 de abril de 2008 | 00h00

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