André Dusek/Estadão
André Dusek/Estadão

Marqueteiro do PT, João Santana divulga nota sobre investigação da Polícia Federal

PF investiga suposta ligação entre recursos trazidos de Angola pela empresa Pólis Propaganda e Marketing e a campanha de Haddad 

Victor Martins, O Estado de S. Paulo

02 de maio de 2015 | 20h09

Atualizado às 22h

BRASÍLIA - O jornalista João Santana, responsável pelo marketing político de campanhas do PT, é alvo de investigação da Polícia Federal em inquérito que apura suspeita de que duas empresas dele trouxeram de Angola para o Brasil US$ 16 milhões em 2012, segundo reportagem da Folha de S.Paulo.

De acordo com o jornal, uma das suspeitas é de que os recursos tenham sido pagos a Santana por empreiteiras brasileiras que atuam no país africano para pagar dívidas da campanha de Fernando Haddad (PT) à Prefeitura de São Paulo.

A investigação, segundo o jornal, apontaria para uma triangulação. Para saldar a dívida da campanha de Haddad, empreiteiras brasileiras que operam em Angola teriam pago à Pólis Propaganda e Marketing. Os recursos, trazidos ao Brasil, teriam sido lançados como pagamento pela campanha do presidente José Eduardo dos Santos, que venceu a disputa presidencial de 2012 no país africano.

A empresa de Santana e o próprio marqueteiro negaram as irregularidades. Por meio de uma nota de esclarecimento, a Pólis informou que a transferência de recursos para o Brasil, referentes ao trabalho em Angola, cumpriu todas as exigências do sistema financeiro nacional. Disse ainda que a operação foi acompanhada pelo compliance do Bradesco. A Pólis ainda colocou em um site documentos relacionados à operação.

A nota também diz que são infundadas as tentativas de estabelecer uma conexão entre as campanhas de Haddad para a Prefeitura de São Paulo e a do presidente de Angola. O único ponto em comum, segundo o comunicado, é o ano em que as eleições ocorreram, em 2012.

"O contrato com a campanha de Angola foi de U$ 20 milhões, pagos pelo partido MPLA (partido do presidente angolano), depositados numa conta da Pólis no Banco Sol, em Luanda, capital de Angola", explicou o texto. "Desse total, US$ 16 milhões foram repatriados ao Brasil gerando uma guia de R$ 6,29 milhões em pagamentos de impostos", detalhou.

Vídeo. O comunicado ainda informou que o contrato da Pólis com a campanha de Haddad foi de R$ 30 milhões, pagos pelos fundos da campanha e verbas partidárias do PT. "Ou seja, o PT, e apenas o PT, pagou pela campanha de Fernando Haddad. Todos os comprovantes estão no mesmo site, montado para contar a verdade sobre essa denúncia (relação entre as campanhas de Haddad e do presidente angolano) infundada", disse a nota. Além do site, ele fez um vídeo de 1 minuto e meio para desmentir as acusações onde nega qualquer tipo de pagamento ilícito. "Eu não pago nada aos meus clientes. Eles que pagam para mim", afirmou.

O marqueteiro declarou ainda que as investigações partem de uma "premissa falsa" e espera uma "retratação futura" da Justiça por danos morais. "Qualquer empresa e qualquer pessoa podem ser investigados (...) Essa acusação não conseguirá dar dois passos e se manter em pé, porque ela se baseia em interpretações absurdas", argumenta.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.