Marinha brasileira terá submarino que falhou na Grécia

O submarino alemão Ikl-214, selecionado pela Marinha do Brasil para aumentar a frota dessa classe de navios, está enfrentando sérias dificuldades técnicas na Grécia, primeiro país a comprar o modelo. Por isso, a Coréia, que contratou o fornecimento de sete unidades, estaria disposta a suspender a operação até que as restrições sejam superadas, segundo o analista naval britânico Robert Karniol. O investimento do Comando da Marinha brasileira é de 1,08 bilhão de euros, envolvendo a fabricação de um Ikl-214 e a modernização tecnológica de quatro outros submarinos alemães, Ikl-209, empregados pela esquadra naval. Do lote, três saíram do estaleiro de Ilha das Cobras, no Rio. Deles se originou o quinto navio, Tikuna, cujo projeto foi alterado e aperfeiçoado. Essa embarcação, recebida em 2005, também será revitalizada no fim do processo, até 2014. O plano da Força é manter permanentemente ativa uma linha de fabricação, manutenção e recuperação de submersíveis de ataque. O Ministério da Defesa comunicou ontem, em Brasília, que está sendo informado do assunto pelo estaleiro alemão ThyssenKrupp MS. Problemas Na Grécia, o Papanikolis sofre as conseqüências de ser o primeiro do pacote. O Ikl-214 desloca 1.772 toneladas e usa, na configuração grega, o sistema Aip, de propulsão a ar, experimental, capaz de aumentar o tempo de permanência sob a água. O arranjo brasileiro, mais simples, prevê motores diesel-elétricos. Um relatório preliminar, produzido por uma comissão de peritos da Marinha da Grécia, concluiu que o Aip, criado por especialistas da Alemanha tendo como referência as águas frias do Mar do Norte, exige adaptações para as temperaturas quentes do Mediterrâneo. Mais: navegando na superfície, o submarino oscila lateralmente em mar agitado. Submerso, teria dificuldades para manter estabilidade. O periscópio vibra se a velocidade excede 5 km/hora. Os motores estariam apresentando ruído incompatível com o procedimento exigido. Os técnicos relatam dezenas de outras falhas. As embarcações gregas e coreanas estão condicionados a cláusulas de produção em instalações dos países compradores.

Agencia Estado,

14 Dezembro 2006 | 12h53

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