Marineiros tentam decolar apoio suprapartidário em SP

Políticos discutiram quais serão as melhores estratégias nessa reta final antes do primeiro e provável segundo turno

ANA FERNANDES, Estadão Conteúdo

25 de setembro de 2014 | 15h17

Depois da tentativa de fazer decolar um movimento suprapartidário nacional de apoio a Marina Silva (PSB) ainda antes do primeiro turno, lideranças de São Paulo se organizam para fazer a iniciativa acontecer ao menos no Estado. Na quarta-feira, 24, à noite, cerca de 30 pessoas, entre quadros políticos estaduais, assessores e militantes de diferentes partidos, participaram de uma reunião inicial do movimento no escritório do aliado de Marina e um dos fundadores da Rede Sustentabilidade, o vereador Ricardo Young (PPS).

Além de pessoas da própria coligação de Marina, havia quadros do PV e representantes ligados ao PSDB, PSD e PCdoB, essas duas últimas legendas da base de apoio à reeleição de Dilma Rousseff (PT). As pessoas do PV adotaram uma postura mais aberta, enquanto das outras legendas ainda agiam com alguma cautela e pediram para não serem identificados na matéria. Passaram para dar suporte à iniciativa o secretário geral do PPS, Davi Zaia, e o candidato a governador Laércio Benko, do PHS. Walter Feldman, coordenador geral da campanha, não compareceu por causa do ano novo judaico - ele é judeu - mas enviou uma nota de apoio ao grupo.

Em cerca de duas horas de reunião, o grupo decidiu redigir um manifesto de apoio suprapartidário a ser aprovado ainda nesta quinta-feira, 25. Ficaram responsáveis pela preparação do documento Maurício Huertas, secretário de comunicação do PPS-SP, Marcos Papa, vereador em Ribeirão Preto - era do PV, mas foi expulso ao participar do movimento de fundação da Rede, o publicitário Gueilor Pinheiro e Amauri Camargo Mônaco, empresário que era do PV e que também participou da fundação da Rede.

Os políticos discutiram quais serão as melhores estratégias nessa reta final antes do primeiro turno e também para a provável disputa de segundo turno contra Dilma. Ainda para o primeiro turno a ideia é manter "os pés no chão" e aumentar a mobilização. Carlos Fernandes, do PPS, e que atua no comitê de Marina, defendeu que haja mais mobilização de rua, com caminhadas em grandes centros como São Paulo ou Rio. Young prometeu levar a ideia para a coordenação de campanha. Já para o segundo turno, foram discutidos os melhores caminhos para atrair apoio de outras legendas. "Tem muita gente no PSDB que quer apoiar e tem gente dentro do próprio PT que é anti-Dilma", disse um dos presentes.

Para já começar a atrair integrantes de outros partidos, o grupo discutiu uma estratégia de marketing que foi trazida por Pinheiro. Ele trouxe até alguns adesivos ainda em fase de testes com o slogan "Tô Marinando". O lema aproveitaria a música composta por Gilberto Gil, que usou o verbo "marinar" e seria uma frase mais suave, por exemplo, que "Sou Marina". A ideia é atrair principalmente aliados do PSDB e da base aliada de Aécio.

Um dos principais quadros envolvidos para que o movimento ganhasse projeção nacional era o senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP). Apesar de, nos bastidores, dizer que continua mobilizado, Randolfe disse por meio de sua assessoria que aguardará o primeiro turno da eleição para se manifestar, em respeito à candidatura de Luciana Genro (PSOL). Cristovam Buarque (PDT-DF) é outro senador que tem declarado apoio a Marina e que seria um reforço importante. De um partido que compõe a base da presidente, ele também tem evitado, pelo menos até aqui, o envolvimento com a iniciativa mais organizada.

Para Young, é importante haver essa organização inicial ainda que limitada ao Estado de São Paulo. "A iniciativa pode ser replicada em outros Estados e depois ganhar a projeção nacional que planejamos", afirmou após a reunião de quarta-feira.

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