Marina:Chapa discute forma de garantir autonomia do BC

A institucionalização da autonomia do Banco Central não é um problema na chapa do PSB à sucessão presidencial, segundo a candidata a vice-presidente Marina Silva. Há um consenso, segundo ela, em torno da questão, mas a criação de garantias para assegurar a autonomia do órgão regulador, como um projeto de lei, por exemplo, ainda está em discussão.

ALINE BRONZATI, Estadão Conteúdo

03 de agosto de 2014 | 15h13

"Nossa posição unânime é de que o BC tem de ter autonomia porque sem ela não há como dar conta daquilo que queremos recuperar que são os instrumentos da política econômica. O Eduardo (Campos) sempre tem defendido a autonomia na prática e o sinal do ponto de vista político que viria com a institucionalização", afirmou Marina, ao Broadcast Político.

Segundo ela, assegurar a autonomia do BC via um projeto de lei é um tema que divide especialistas, com alguns indicando que a medida seria um sinal forte enquanto que outros acreditam que não é o caso de efetivá-la. Marina afirmou que é preciso verificar a oportunidade e a conveniência de tal passo.

Sobre a política de crédito a ser proposta pelo programa de governo de Eduardo Campos, do qual é vice, a candidata afirmou que a chapa é bastante criteriosa quanto à transparência e debate da participação dos bancos públicos no estímulo ao crescimento da economia brasileira. Para ela, não é possível escolher "quem são os ganhadores" no setor bancário.

"A sociedade precisa de critérios transparentes para que se possa disponibilizar meios, recursos e financiamentos. Até porque isso sai do orçamento público e não é discutido no Congresso, não tem transparência. É nesse sentido que estamos sendo bastante criteriosos", explicou ela.

De acordo com Marina, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) não poderia ter sido usado em um momento que não era mais oportuno, diferentemente do que aconteceu em 2008, quanto era necessário fazer uma alavancagem em função da crise econômica europeia. Passada a crise, o estímulo ao crescimento econômico via oferta de crédito por parte dos bancos públicos, segundo ela, não poderia ter sido continuado.

Marina afirmou ainda que a chapa do PSB à sucessão presidencial está fechando informações para lançar o programa de governo, cuja previsão é 13 de agosto. Segundo ela, as equipes estão dando suporte no levantamento de dados, números, recursos e uma base mínima de como será a implementação de determinadas propostas. Essa etapa, conforme Marina, dá um "trabalho relativo".

"Eu e o Eduardo não queremos fazer alguma coisa que depois a gente diga que está insuficiente. Claro que nunca vai estar totalmente suficiente porque é um processo aberto. Quando chegar o momento da transição, se Deus quiser, muitas coisas terão de ser revisitadas, mas estamos fazendo de forma criteriosa", disse Marina.

A candidata participou na manhã de hoje de caminhada no Parque do Ibirapuera, em São Paulo, ao lado da ex-prefeita de São Paulo e deputada federal Luiza Erundina (PSB). Durante o percurso, a candidata parou para fotos com eleitores. Enquanto esperava na fila para conferir a exposição dos Mayas na Oca, Marina foi chamada de "homofóbica" por duas pessoas presentes e rebateu: "Isso não é verdade".

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