Widio Joffre/Futura Press
Widio Joffre/Futura Press

Marina vê preconceito religioso contra Feliciano e causa polêmica

Em palestra no Recife, provável candidata à Presidência afirma que pastor é criticado ‘por ser evangélico e não por suas posições políticas’

Angela Lacerda e Isadora Peron, O Estado de S. Paulo

15 de maio de 2013 | 22h45

SÃO PAULO - A ex-ministra Marina Silva (sem partido) se envolveu em uma polêmica nas redes sociais ao afirmar que o deputado federal Marco Feliciano (PSC-SP), que é pastor e preside a Comissão de Direitos Humanos da Câmara, "está sendo criticado por ser evangélico e não por suas posições políticas equivocadas". Feliciano é acusado de racismo e homofobia. Ele assumiu o comando da comissão no dia 7 de março.

Também evangélica, a provável candidata à Presidência em 2014 fez a afirmação em palestra na Universidade Católica de Pernambuco na terça-feira. A repercussão do caso na internet nesta quarta-feira, 15, obrigou a assessoria da ex-senadora a postar vídeo da palestra no Facebook, com o trecho em que ela se referia a Feliciano. Em nota, a assessoria da ex-senadora afirmou que "as declarações foram interpretadas equivocadamente por alguns órgãos da imprensa". "Marina Silva criticou o deputado Feliciano e, de forma didática, dissociou isto da opção religiosa dele", diz a nota, assinada pela Rede Sustentabilidade, partido que Marina tenta criar.

"Minha fala foi tirada do contexto. Minha opinião sobre Feliciano continua a mesma, o considero despreparado para presidir a comissão. Mas o fato é que não se deve criticá-lo por ele professar uma religião, mas por suas opiniões e atitudes", explicou Marina na mesma nota.

Horas antes, a ex-senadora interpretou as inúmeras postagens na rede como uma "orquestração" para prejudicá-la.

Na palestra na terça-feira, Marina reafirma que tem "compromisso com o Estado laico". Cita o caso da Comissão de Direitos Humanos como um debate "potencializado" por fatores religiosos. Afirma que o deputado "não tem tradição de defesa dos direitos humanos". "E aí a gente acaba combatendo um preconceito com outro. Porque se, por ventura, ele fosse ateu, eu não gostaria de dizer que as posições equivocadas dele era porque ele era ateu e nem dizer que se fosse judeu, pelo fato de ser judeu, e nem se fosse espírita, ou de qualquer outra crença, pelo fato de ser dessa crença. Da mesma forma que eu acho que o Blairo Maggi na Comissão do Meio Ambiente não deve ser criticado pelo fato de ser empresário, mas pelo fato de não ter tradição de defesa do meio ambiente", disse Marina a estudantes.

Jornal. A ex-senadora afirmou que suas declarações na palestra tiradas de contexto pelo Diário de Pernambuco, que divulgou a reportagem replicada nas redes sociais. "Não são só os políticos mentem; os jornalistas também", disse, ontem à tarde, em entrevista a uma rádio do Recife. "Critiquem o que eu falei, mas não o que não falei."

O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, solicitou ao Supremo Tribunal Federal, no início de abril, que abra processo criminal contra Feliciano por discriminação contra homossexuais por conta de declarações dele no Twitter. Além das acusações de homofobia, Feliciano é réu, no Supremo, em ação penal por estelionato.

Ajuda evangélica. Com dificuldades para criar a Rede, Marina conta com o apoio de evangélicos para atingir as cerca de 500 mil assinaturas necessárias para alcançar o seu objetivo. A Rede espera coletar entre 80 mil e 100 mil assinaturas nas igrejas evangélicas da Grande São Paulo. Até ontem, o grupo tinha ultrapassado 306 mil assinaturas.

O responsável pela articulação com o segmento evangélico é o presbítero Geraldo Malta, assessor do deputado Walter Feldman, que já anunciou a migração do PSDB para a nova legenda. A experiência de Malta com religião e política não é uma novidade. Ele foi o responsável pela aproximação do tucano José Serra com os evangélicos nas campanhas pela Prefeitura de São Paulo no ano passado e pela Presidência em 2010.

Segundo Malta, já foram distribuídas mais de 80 mil fichas em diversas igrejas pentecostais e neopentecostais da capital. A meta da Rede é alcançar todas as assinaturas até 15 de junho. "Marina goza de muita simpatia entre os evangélicos", diz.

Foi criado uma espécie de "comitê evangélico da Rede", composto por Malta e pelos pastores Luciano Luna e Reinaldo Mota.

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