Marina vai ao Acre tentar recuperar votos perdidos

Em baixa com seu eleitorado, a candidata do PV à Presidência da República, Marina Silva, volta amanhã à terra natal, o Acre, para tentar recuperar o espaço perdido para seus adversários na disputa.

DAIENE CARDOSO, Agência Estado

03 de setembro de 2010 | 19h33

Terceira colocada nas intenções de voto entre os acreanos, a candidata aparece com 19% na última pesquisa Ibope, enquanto o tucano José Serra e a petista Dilma Rousseff estão em empate técnico - com, respectivamente, 34% e 32% das intenções de votos.

Embora o Estado tenha só 0,3% do eleitorado brasileiro - hoje são 135,8 milhões de eleitores no País -, o Acre tem um significado especial para Marina: além de ser o Estado onde nasceu, é o lugar onde surgiu politicamente. Por isso, a campanha do PV preparou um roteiro cheio de simbolismo para a primeira viagem da senadora acreana como candidata ao Palácio do Planalto.

Marina passará dois dias no Estado, onde visitará os dois principais colégios eleitorais locais: a capital Rio Branco e Cruzeiro do Sul, a segunda maior cidade. A programação inclui inaugurações de Casas de Marina (comitês domiciliares).

Um deles será na casa de seus primeiros patrões em Rio Branco, o casal de aposentados Dagmar Oliveira Lopes e Terezinha da Rocha Lopes, aos quais prestou serviço como empregada doméstica logo que deixou o seringal.

A candidata terá um encontro com crianças no Parque Chico Mendes, lançará seu livro biográfico nas duas cidades e terá um café da manhã (chamados pelos acreanos de "quebra jejum") com cerca de 50 integrantes de sua família, entre eles tios, primos e pai, no Parque Capitão Ciríaco, antigo seringal.

Pesquisas

Para a coordenação da campanha de Marina no Acre, a vinda da "ilustre filha" será decisiva para que a candidata reverta os números frustrantes das pesquisas. Marina chegou a ocupar o segundo lugar nos levantamentos, mas recentemente perdeu votos para Dilma.

"Ela vem para beber da fonte e para repor energia, agradecer o apoio dos acreanos e pedir votos para Tião (Viana, do PT, candidato ao governo do Estado), Jorge (Viana, do PT, candidato ao Senado) e Edvaldo Magalhães (PC do B, candidato ao Senado)", disse Júlio Gomes Pereira, um dos coordenadores da campanha estadual. "O acreano é muito bairrista e com a presença dela aqui será outra coisa", prevê.

No Acre, o PV de Marina manteve a aliança de 20 anos com o PT dos Viana. Embora Tião e Jorge não façam campanha aberta para Marina, ambos devem participar de um dos compromissos oficiais da candidata neste fim de semana. "Dilma é a candidata do presidente e Lula foi o que mais fez pelo Acre". "Eles citam a gratidão por Lula e por isso fazem campanha para Dilma", justificou Pereira, ao contar que os irmãos Viana, mesmo apoiando Dilma, não deixam de citar a importância de Marina para o Estado, chegando a chamá-la de "irmã".

Estrutura

Apesar de ser uma liderança política forte no Estado, a candidatura verde tem dificuldades de emplacar pela falta de estrutura e pelo "poder estrutural da concorrência". Com a escassez de recursos financeiros, os materiais de campanha acabam em dois dias e a militância não consegue levar a campanha para a zona rural, já que a estrutura está concentrada em Rio Branco.

"Não temos condições de ir além disso. Então temos muito que avançar na área rural", afirmou Pereira. Já do outro lado, o PV sente um esforço concentrado dos tucanos para acabar com a força política petista que governa o Estado há 12 anos. "É uma tentativa do Serra de derrotar o petismo", contou.

Colaboração

Segundo a coordenação, a campanha no Acre conta principalmente com a ajuda de voluntários. Mais de 150 pessoas aparecem por dia no comitê central para aderir à campanha, de acordo com os coordenadores."Trabalhamos com recursos reduzidos e um voluntariado imenso". "Os voluntários da campanha de Marina querem levar realmente o nome dela para o segundo turno", disse Pereira.

O PV no Acre tem aproximadamente 1 mil filiados e mesmo com a entrada de Marina para o partido, apenas 20 egressos do PT mudaram de partido desde então. "Muitos não vieram do PT porque ela disse que mudou de casa e não de rua", alegou. A chegada de Marina ao Acre na madrugada deste sábado vem mobilizando todo o partido no Estado. "Para vir aqui ela teve que fazer 38 cidades em 28 dias". "Ela quer muito vir aqui", disse Pereira.

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