Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Marina sugere que PT, MDB, PSDB e DEM 'tirem sabático'

Para ex-ministra, que pretende disputar Presidência neste ano, partidos se perderam em "projetos de poder pelo poder"

Thais Barcellos, O Estado de S.Paulo

28 Janeiro 2018 | 13h26

A pré-candidata da Rede Sustentabilidade à Presidência, Marina Silva, disse que o PT, PSDB, MDB e DEM precisam sair em um sabático para "se reencontrarem". Para a ex-ministra, esses partidos "se perderam em um projeto de poder pelo poder". 

"São partidos que deram grande contribuição para a sociedade, mas se perderam no projeto de poder pelo poder, da eleição pela eleição. Deixaram de discutir os rumos da nação", afirmou durante uma entrevista concedida nesse sábado a uma rádio de Belo Horizonte. Ela disse ainda que essas sigls "precisam de quatro anos sabáticos para se reencontrar com as bases e reler seus programas". 

Ela ainda comentou a condenação em segunda instância do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no caso do tríplex do Guarujá na última semana, dizendo que vivemos um momento delicado da história política do País. "É a primeira vez que um ex-presidente da República é condenado. A situação exige, das lideranças políticas e da sociedade de um modo geral, uma atitude de respeito às instituições, compreendendo que seja assegurado o direito de ampla defesa. A própria Justiça dispõe de mecanismos internos de revisão de suas decisões."

Marina disse que tem de se aproveitar esse momento para acabar com o foro privilegiado, citando o senador Aécio Neves e dizendo que não se pode ter "dois pesos e duas medidas". "Temos situações com mais de 200 parlamentares que estão igualmente sendo investigados e não estão sendo punidos por terem o poder de fazer o auto-julgamento. Veja o que aconteceu no caso do senador Aécio Neves, a quem o Supremo devolveu, para os seus pares, a prerrogativa de julgá-lo", lembrou. "Precisamos de uma situação em que haja equidade: aqueles que poderão concorrer a um pleito eleitoral devem ser igualmente julgados", sustentou.

A política também se manifestou contra a reforma política aprovada no Congresso no ano passado, que, segundo ela, foi feita de uma forma em que somente os partidos tradicionais, sejam de esquerda ou de direita, possam governar o País, já que a eles serão destinados a maior parte do fundo eleitoral e do tempo de TV. "Com o fundo eleitoral bilionário, esses partidos sobreviverão independente de convencimento de quem quer ou não contribuir com eles", avaliou.

Questionada se estaria a favor ou contra as medidas do governo de Michel Temer, Marina disse que as reformas propostas por Temer foram inviabilizadas por ele próprio, já que não foram discutidas com a sociedade. "O presidente Temer não tem legitimidade ou credibilidade. Inclusive, ele guarda no seio do seu governo, com foro privilegiado, seis pessoas que deveriam estar sendo igualmente julgadas e punidas", reforçou.

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