Marina Silva defende transposição do rio São Francisco

A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, defendeu nesta quarta-feira o projeto de transposição das águas do rio São Francisco, dizendo que ele é ambientalmente seguro, em resposta a manifestantes que se posicionam contra o maior projeto de obras públicas do país. Pela proposta, a obra bombeará água para moradores e fazendas através do semi-árido nordestino, onde nasceu o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, através de 700 quilômetros de canais de concreto. "Nós estamos respeitando a legislação ambiental brasileira", disse a ministra a representantes de movimentos sociais contrários ao projeto, de acordo com um comunicado. "Nossa decisão não é a favor do governo ou dos movimentos. É uma decisão absolutamente técnica sobre um processo de licenciamento transcorrido com absoluta isenção e independência." Marina Silva já concedeu a licença ambiental para o projeto como um todo, mas agora precisa autorizar a sua implementação. A empreitada deve custar algo em torno de R$ 6,5 bilhões, e a construção deve durar anos. O processo licitatório para os primeiros contratos de execução de obras foi anunciado na terça-feira, no Diário Oficial da União. Centenas de manifestantes, inclusive do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra, índios e pequenos produtores estão acampados em Brasília para pressionar autoridades a barrar a obra. Eles dizem que o projeto é muito caro e beneficia muito poucas pessoas. Ambientalistas temem que a redução do nível das águas do rio possa afetar sua navegabilidade, a pesca e a biodiversidade. O rio já sofre efeitos negativos por conta de barragens e do desflorestamento, que contribuíram para o surgimento de enormes bancos de areia ao longo de seu leito. Críticos dizem que o governo terá, além disso, dificuldades em assegurar uma justa distribuição das águas. A Justiça suspendeu em fevereiro a licença ambiental. O governo diz que o investimento estimulará a economia local e fará com que menos pessoas emigrem da empobrecida região rumo ao Sul e ao Sudeste, além de diminuir os gastos com assistência emergencial em períodos de seca.

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