Marina Silva defende reforma tributária em debate com Serra e Dilma

Pré-candidata do PV falou sobre a própria biografia e defendeu novo modelo econômico

Carol Pires, estadão.com.br

19 Maio 2010 | 12h16

BRASÍLIA - A presidenciável do PV, senadora Marina Silva (AC), pontuou suas respostas dela, durante debate realizado esta manhã pela 13ª Marcha dos Prefeitos a Brasília, pela defesa da reforma tributária. Marina também ressaltou a conquista de ter sido ministra do Meio Ambiente, apesar de ter sido analfabeta até os 16 anos. "A educação é o que faz a diferença na vida de uma pessoa. Digo isso porque fui analfabeta até os 16 anos. E sei o que é para um pai, para uma mãe não saber o que será do futuro do seu filho".

 

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Quando questionada sobre os royalties do petróleo, fugiu da polêmica briga entre Estados produtores e não produtores e, sem dizer como será feita a distribuição dos recursos, afirmou que os usará para fazer a transição do atual modelo de economia para outro de baixo carbono.

 

Ovacionada ao final do discurso e aplaudida diversas vezes pela plateia, Marina Silva embargou a voz ao falar dos companheiros do PT, partido no qual ficou filiada por 30 anos, até migrar para o PV. "Não é fácil vir aqui pela primeira vez em 30 anos sem ser mais do PT".

 

Uma das primeiras perguntas dirigidas a Marina foi se, uma vez eleita presidente, insistirá na criação de um novo imposto para financiar gastos em Saúde ou defenderá que a União invista 10% das receitas correntes no setor. Hoje, Estados são obrigados a investir 12% em Saúde. Municípios investem 15%. A senadora escolheu a segunda opção. "Não estamos mais no tempo de fazer puxadinhos tributários. Não encaramos o que é fundamental neste País, que é a reforma tributária", disse.

 

Os prefeitos também criticaram o fato de o governo fazer "bondade com chapéu alheio", quando, por exemplo, desonerou impostos para enfrentar os efeitos da crise e, em contrapartida, deixou o Fundo de Participação dos Municípios com menos recursos. Marina Silva disse que as desonerações não são ruins por si só, mas deve haver, segundo ela, uma reforma tributária para solucionar o problema.

 

Marina Silva também deu continuidade a um tom de discurso usado pelo presidenciável José Serra (PSDB) no debate anterior, quando permeou as respostas com afagos aos prefeitos. "Não dá para continuar fazendo com que as prefeituras assumam responsabilidades sem que os valores dessas responsabilidades não sejam igualmente repassadas", disse Marina, sobre o fato de hoje, segundo dados da Confederação Nacional dos Municípios (CNM), os municípios serem responsáveis pela execução de 309 programas federais.

 

Biografia

 

Além de ressaltar o fato de ter sido analfabeta até os 16 anos, Marina Silva também listou a experiência que tem na luta pela preservação do meio ambiente, o mandato de senadora da República que renova a cada eleição desde 1994, e o cargo de ministra do Meio Ambiente no governo Lula.

 

Marina Silva disse, por exemplo, que usará essa experiência para resolver os problemas das catástrofes naturais enfrentadas pelo País nos últimos anos, como os deslizamentos nos morros habitados no Rio de Janeiro e as enchentes no Sul do País. Segundo Marina, essas catástrofes não são "naturais" e sim "resultado das mudanças climáticas".

 

Marina Silva, no entanto, admitiu que não cobiça mais o cargo de senadora da República. "Não quero ficar mais 24 anos no Senado, porque quando você fica muito tempo no Senado você fica igual a um bonsai. Paradinho, pequenininho, numa mesa. É melhor ser uma relva no campo do que um bonsai no Senado".

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