Marina Silva critica modelo de estímulo ao consumo

A fórmula de estímulo ao consumo, que deu certo para as eleições de 2010, está esgotada e repeti-la agora pode ser dramático para o controle da inflação, algo precioso para o País, na opinião da ex-senadora Marina Silva. Durante evento neste sábado, 15, que celebrou a marca de 500 mil assinaturas coletadas para a criação do partido Rede Sustentabilidade, que pretende fundar, ela destacou a necessidade de não colocar o interesse político na frente da agenda de equilíbrio econômico e de inclusão social do Brasil.

ALINE BRONZATI, Agência Estado

15 Junho 2013 | 14h05

"Essa fórmula (de estímulo ao consumo) está esgotada. Obviamente, se persistirmos nela poderemos ter alguns resultados para as eleições de 2014, mas a um custo muito alto para as conquistas que alcançamos nos últimos 16 anos do equilíbrio econômico e da inclusão social", avaliou ela, em conversa com a imprensa, após o evento.

Mais uma vez, segundo Marina, o Governo tenta repetir a mesma fórmula de 2008. Se esta estratégia prevalecer, na opinião da ex-senadora poderá ser dramático não só do ponto de vista da inflação, mas também da manutenção do ciclo virtuoso que o Brasil teve nos últimos 16 anos.

Para ela, o País inteiro avalia com preocupação, inclusive a presidente Dilma Rousseff, o momento que vive a economia do País. "Estamos vivendo um momento delicado de uma crise econômica global e o Brasil não está imune a esta crise. Não podemos fazer o discurso fácil de achar que o Brasil é uma ilha", analisou Marina.

Seria "desonesto" do ponto de vista político, conforme ela, achar que todos os problemas atuais são únicos e exclusivos do governo. Também é um erro, na visão da ex-senadora, achar que todos os problemas são únicos e exclusivos da conjuntura econômica global porque quando se está tendo sucesso é atribuído à ação nacional.

Sobre o novo programa da Caixa Econômica Federal, que concede cartões de crédito para o financiamento de móveis, eletrodomésticos e eletroeletrônicos, ela disse que é preciso pensar os programas sobre a perspectiva de médio e longo prazo.

"Medidas que têm fim de resultado puramente imediato, com agenda eleitoral, não darão conta dessa realidade complexa porque tem algo bem mais difícil. Estimular o consumo quando a capacidade produtiva do país já está a pleno vapor significa que tem um esgotamento dessas formulas", enfatizou Marina.

De acordo com ela, continuar achando que o Brasil tem a mesma realidade econômica de 2008, quando os países que importavam a matéria-prima local compravam commodities, é apostar num caminho que pode ser "duvidoso" para o equilíbrio econômico do País. Questionada sobre se o governo Dilma utilizou a Caixa Econômica Federal em excesso, na estratégia de baixar as taxas de juros e ofertar crédito numa política anticíclica enquanto os bancos privados estavam mais retraídos na liberação de recursos, Marina disse preferir olhar de um ponto de vista "mais amplo".

"O governo tem de combinar os instrumentos de política macroeconômica com a microeconomia e a fórmula de 2008 está esgotada", destacou.

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