Marina Silva considera 'lamentável' absolvição no caso Dorothy

Fazendeiro acusado de mandar matar missionária no Pará foi absolvido em novo julgamento na última terça

Agência Brasil,

09 de maio de 2008 | 13h32

A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, considerou "lamentável" a absolvição do fazendeiro  Vitalmiro Bastos de Moura, o Bida, acusado de ser mandante do assassinato da missionária norte-americana Dorothy Stang, ocorrido no município de Anapu (PA), em fevereiro de 2005. "É lamentável. O Brasil fica estarrecido com a decisão. No País, poucos mandantes foram punidos e temos que ter uma Justiça que seja capaz de punir tanto aquele que executa o crime como o que manda e contrata, porque são esses que patrocinam, principalmente na Amazônia e no estado do Pará, milhares de assassinatos", avaliou.  Na última quinta-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva também criticou a absolvição e disse esperar que seja revista a decisão do Tribunal do Júri de Belém. Mesmo frisando que presidente da República não pode "dar palpite" em decisões da Justiça, declarou que a absolvição, após o fazendeiro ter sido condenado num primeiro julgamento, em maio de 2007, mancha a imagem do Brasil no exterior. Veja Também:Absolvição no caso Dorothy mancha imagem do Brasil, diz LulaAmiga de Dorothy prevê 'mais sangue derramado' no Pará NYT: Direitos humanos criticam absolvição no caso Após caso Dorothy, Câmara avalia lei sobre 2º julgamentoOpine sobre a decisão  Júri absolve fazendeiro acusado de mandar matar DorothyEntenda o caso da missionária Dorothy Stang   Trezentas pessoas, entre religiosos, líderes sindicais e de movimentos sociais, estão sob ameaça de morte no interior do Pará por denunciarem crimes como grilagem, extração ilegal de madeira e exploração de mulheres. O número foi levado ao Conselho de Defesa dos Direitos das Pessoas Humanas (CDDPH), órgão da Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República, por três bispos que também integram a lista de jurados de morte no Estado - onde foi assassinada há três anos a irmã Dorothy Stang. A governadora do Estado, Ana Júlia Carepa (PT), disse, em nota, que reconhece uma lista de 60 pessoas.  O promotor do caso Edson Cardoso de Souza entrou com recurso na última quinta-feira para levar Bida a novo julgamento. "A decisão dos jurados contrariou a prova dos autos no caso do Bida. Além disso, o Conselho de Sentença não reconheceu um item importante do julgamento, que foi a qualificadora de promessa de recompensa pela morte da freira, quando julgou e condenou a 28 anos o Rayfran das Neves, o pistoleiro", explicou Cardoso.    A absolvição de Bida foi criticada por ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e pela Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência. Ex-presidente do STF, Jobim disse que "cabe a eles (2ª Vara do Júri de Belém) decidir". "Como advogado que fui, juiz e político, sei muito bem que as decisões tomadas pelos tribunais são em cima do processo. Não tenho opinião a emitir", disse.  Este foi o segundo julgamento de Vitalmiro Moura, condenado em maio do ano passado a 30 anos de reclusão, em regime inicialmente fechado. O fazendeiro, que estava preso desde 2005, foi libertado já na noite da última terça, após o resultado do julgamento. Rayfran Sales, que confessou ter sido o executor da missionária, também foi julgado na última terça e teve a pena de 28 anos de prisão confirmada.  O júri que absolveu Bida era formado por seis homens e uma mulher. Eles acataram a tese da defesa de negativa de autoria de mando do crime. O que pesou na absolvição foi o depoimento do pistoleiro favorável ao fazendeiro, assumindo sozinho a autoria do crime. A defesa de Moura festejou a absolvição juntamente com os familiares do fazendeiro. A missionária Dorothy Stang foi morta com seis tiros em Anapu, a 300 quilômetros da capital paraense, em fevereiro de 2005. Ela trabalhava com a Pastoral da Terra e comandava o programa em uma área autorizada pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).

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