Marina Silva aprova manifesto contra declaração de Lula

As declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de que é preciso retirar entraves ambientais para desenvolver o País têm deixado de cabelo em pé os profissionais do setor. Na quarta, em sua reunião ordinária, o Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), presidido pela ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, aprovou uma manifestação contra o presidente, manifestando ´indignação´ e ´preocupação´ com os comentários de Lula.´As recentes declarações do presidente qualificando o meio ambiente, os povos indígenas, os quilombolas, o Ministério Público e o Tribunal de Contas da União como entraves ao desenvolvimento do País causam-nos preocupação e indignação, pois sinalizam retrocesso na legislação e na garantia de direitos conquistados pela sociedade brasileira´, diz o texto, aplaudido e assinado pelos conselheiros.O presidente vem falando, desde o final das eleições, na necessidade de ´destravar´ o País. No dia 21, em viagem a Mato Grosso, afirmou que dedicaria novembro e dezembro para resolver os ´entraves´ para um crescimento mais intenso.´Estamos vendo como uma tentativa de responsabilizar o Ministério do Meio Ambiente, colocá-lo como um obstáculo e enfraquecer a legislação´, disse Sérgio Henrique Guimarães, do Instituto Centro de Vida, que representa as ONGs do Centro-Oeste no Conama. ´Se levanta a bola, sempre vai ter empresários irresponsáveis que tentam aproveitar. Essa moção é uma resposta política.´QueixasAs reclamações de governadores, prefeitos e empresários sobre as dificuldades em terminar obras por causa da dificuldade de aprovação de pareceres ambientais são recorrentes e parecem ter chegado aos ouvidos do presidente.Na noite de terça-feira, em discurso para empresários, ele disse que não queria criar um ´bode expiatório´, pois os problemas são de várias áreas. Mas, em discursos e em conversas recentes, tem citado as dificuldades com a legislação ambiental, apesar de defender a ministra Marina Silva.´A todos interessa o desenvolvimento do País. Entretanto, esse não pode simplesmente se restringir ao crescimento econômico´, diz a nota, completando que o custo de tentar um desenvolvimento sem controle ambiental termina por trazer prejuízos maiores.O Conama ressalta que, muitas vezes, os projetos não conseguem licença ambiental por conta de sua má qualidade, mas não esquece a notória falta de estrutura do poder público para atender à demanda.´É importante evidenciar que a demora na emissão de licenças ambientais se deve primordialmente a fragilidades técnicas na qualidade dos projetos que, muitas vezes, não têm considerado suficientemente a complexidade dos impactos causados à natureza e às populações e, também, a deficiências estruturais na administração pública.´ A moção será distribuída nesta quinta-feira pelo Conama.

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