Marina saiu por não conseguir continuar 'agenda ambiental'

Ex-ministra diz em carta que 'há algum tempo vem enfrentando dificuldades' na pasta do Meio Ambiente

Nélia Marquez, de O Estado de S.Paulo

13 de maio de 2008 | 19h43

A ministra demissionária do Meio Ambiente,  Marina Silva , apontou como causa de seu pedido de demissão as dificuldades que vem enfrentando "há algum tempo para dar prosseguimento à agenda ambiental federal". A justificativa da ministra consta da carta com o pedido de demissão que foi divulgada há pouco pelo Palácio do Planalto. Na carta, Marina silva pede demissão "em caráter pessoal e irrevogável".  Veja também:  Veja íntegra do pedido de demissão de Marina SilvaMarina pede demissão; Minc é escolhido para Meio AmbienteConheça a carreira política de Marina Silva Saiba quem é Carlos Minc, chamado para o lugar de Marina  Veja galeria de fotos da gestão da ministra Lula se irritou com saída de Marina antes de carta Nomeação de Mangabeira no PAS teria sido a gota d'água para MarinaMangabeira nega divergência com Marina SilvaAntes de sair, Marina fez duras críticas aos biocombustíveisVeja os ministros que deixaram o governo Lula Especial: Amazônia - Grandes reportagens   Na carta, de duas páginas e meia, Marina Silva faz um relato sobre algumas ações no Ministério mas evita fazer críticas ao governo.  A saída do Planalto ocorre cinco dias após o lançamento do Plano Amazônia Sustentável (PAS). Na solenidade, o presidente que o ministro extraordinário do Núcleo de Assuntos Estratégicos (NAE), Roberto Mangabeira Unger, seria o coordenador do PAS, mas fez uma brincadeira com Marina: "Dilma, eu disse que você é a mãe do PAC. Ninguém como você, Marina, para ser a mãe do PAS. De mãe em mãe, vocês percebem que estou criando a nova China aqui."  Marina está à frente do ministério desde o primeiro mandato de Lula. Sua saída põe fim a um processo de desgaste que se acentuou no ano passado, quando o atraso na concessão de licenças ambientais pelo Ibama foi apresentado como o grande vilão para o não andamento de obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Marina chegou a protagonizar disputas com a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, e o próprio Lula fez críticas públicas à área sob seu comando quando a falta de licenças atrasou o processo de leilão das usinas do Rio Madeira. Sob forte bombardeio desde então, a ministra mantinha suas convicções em eventos públicos. Ainda na última segunda, durante lançamento do Programa Brasileiro de Inventário Corporativo de Gases de Efeito Estufa, a ministra teve a coragem de criticar a menina dos olhos do governo Lula, o investimentos em biocombustíveis: "o Brasil não quer ser a Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) dos biocombustíveis(...) Queremos dar nossa contribuição em relação aos biocombustíveis, mas observando nossa capacidade de suporte. E de forma que não comprometa a segurança alimentar nem a questão ambiental", chegou a dizer Marina à Agência Brasil. "Nossa economia depende 50% da nossa biodiversidade. Quem destruiria sua galinha dos ovos de ouro?", indagou em Brasília.

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