Marina sabe que o País tem mais estabilidade, diz Lula

Em coletiva de imprensa após celebração pelos 10 anos do Bolsa Família, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva rebateu, nesta quarta-feira, 30, críticas da ex-senadora Marina Silva ao governo federal. Marina disse que o governo Dilma não conseguiu imprimir uma marca, diferentemente do que ocorreu com Fernando Henrique Cardoso (estabilidade econômica) e com o próprio Lula (distribuição de renda).

RICARDO DELLA COLETTA, TÂNIA MONTEIRO E RICARDO BRITO, Agência Estado

30 de outubro de 2013 | 18h29

Lula alfinetou a ex-senadora e disse que ela não "pode aceitar com facilidade" algumas lições que estão lhe dando". "A Marina tem que lembrar que ela entrou comigo no governo em 2003. Ela sabe que o Brasil tem hoje mais estabilidade em todos os níveis do que quando entramos", disse Lula.

Ele afirmou que herdou do governo FHC um país "muito inseguro" e sem "nenhuma estabilidade". "Não tínhamos dinheiro sequer para pagar as exportações. Tínhamos US$ 37 bilhões de reservas e US$ 20 bilhões eram do FMI", afirmou. "Hoje temos US$ 376 bilhões de reservas e mais US$ 14 bilhões que foram emprestados ao FMI".

Lula afirmou que a marca do governo Dilma Rousseff é a mesma daquela defendida durante a campanha eleitoral: a continuidade e o aprofundamento daquilo que foi feito em seu governo, com foco na inclusão social. "Eu acho que o governo da presidente teve uma marca da campanha, que foi a razão da sua eleição: dar continuidade a um programa de inclusão social e desenvolvimento" (do governo Lula), disse o ex-presidente.

Inflação

Lula também ressaltou que, atualmente, a inflação está "sob controle" e que a meta tem sido cumprida ano a ano. "Temos inflação de 5,8% e quando eu cheguei era 12%", disse. Ele enfatizou ainda que o Brasil "nunca teve tanta estabilidade" e disse que a inflação está dentro da meta há 10 anos".

Ainda respondendo a Marina, Lula disse que ela, ao falar da estabilidade econômica dos anos FHC, estaria se lembrando apenas do período que vai de 1994 a 1998, mas "se esquecendo" do segundo mandato do tucano. "Em 1998 a política cambial fez o País quebrar três vezes. Pergunte a ela (Marina) se ela se lembra disso?"

O ex-presidente traçou um cenário otimista para o País e afirmou que a última vez que se investiu em infraestrutura foi durante o governo do general Geisel (1974-1979). Ele lembrou que, naquele momento, o governo do militar pegou empréstimo com o dólar muito barato, a 3% ao ano, mas devido a circunstâncias internacionais, um ajuste o ampliado para 21%. "Isso quebrou o Brasil e tivemos duas décadas perdidas".

Investimento

Nos investimentos em infraestrutura, Lula citou os aportes em ferrovias e hidrovias. "Não há como o Brasil não virar a quinta economia do mundo até 2016. Vamos continuar crescendo".

Ele retomou a retórica de seu discurso mais cedo e ironizou aqueles que defendem o crescimento por meio do arrocho salarial e da redução de postos de trabalho. "Eu fico com pena quando vejo alguns sábios, alguns gênios, que já governaram a economia deste País dizer que precisa de um pouco mais de desemprego e da redução de salário", ironizou.

"Eu acho que para melhorar o País precisa de mais investimento, mais salário e mais inclusão", acrescentando ter prazer em dizer que o Brasil tem uma das menores taxas de desemprego do mundo e que este era o seu desejo durante os 30 anos em que foi dirigente sindical. "Eu invejava o que acontecia nos Estados Unidos e na Europa, quando a taxa de desemprego era de 5%. E hoje eles têm 9% a 18%, e nós com 5,4%. É tudo que eu queria que acontecesse no Brasil".

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