Marina propõe criação de 'taxas verdes'

Na TV, candidata explicou que imposto atingiria atividades 'altamente danosas' ao meio ambiente

Rosana de Cassia, da Agência Estado,

20 de setembro de 2010 | 09h04

BRASÍLIA - A candidata do PV à Presidência da República, Marina Silva, reafirmou nesta segunda-feira, 20, que pretende dar prioridade à educação e ao saneamento, e que vai cobrar taxas verdes de determinadas atividades altamente danosas ao meio ambiente. Marina disse que, para conseguir esses objetivos, fará uma aliança "com os melhores" de todos os partidos. Os recursos para a realização de boa parte de suas proposta virão, segundo a candidata, do combate ao desvio de dinheiro público. "Quase 5% do Produto Interno Bruto (PIB) são drenados em corrupção. Se criarmos um sistema de acompanhamento transparente, vamos evitar o dreno da corrupção", afirmou nesta manhã, em entrevista ao programa Bom Dia Brasil, da TV Globo.

"Isso não é promessa. Isso está no programa de governo, numa plataforma, diferentemente dos outros candidatos", acrescentou Marina. "O governador Serra (candidato do PSDB) apresentou um discurso. A ministra Dilma (candidata do PT) fez várias versões. Sabem por que? Porque eles não se prepararam para debater o Brasil. Se prepararam para o embate", afirmou.

 

Se eleita, Marina Silva disse que implementará uma "taxa verde" para atividades econômicas danosas ao meio ambiente, como as termelétricas e exploração de petróleo. "É uma questão de pensamento estratégico", disse ao referir-se à importância do investimentos em tecnologias que busquem a produção de energias limpas.

 

A candidata verde disse que manteria os investimentos no pré-sal porque o "uso do petróleo ainda é um mal necessário", mas que é preciso buscar a exploração com tecnologias mais seguras.

Questionada sobre sua saída do Ministério do Meio Ambiente, Marina lembrou que havia pressão de alguns ministros junto ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva contra o plano de combate ao desmatamento. Ela negou que a então ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, fizesse parte desse grupo. "A ministra da Casa Civil nem estava participando desse processo, essa pressão era feita diretamente no presidente", afirmou.

Marina Silva também disse que, se eleita, manterá o projeto de exploração do petróleo na camada do pré-sal. "Vamos manter, mas com segurança". Ela disse que vai propor um comitê científico de acompanhamento independente da sociedade civil para acompanhar e auditar o programa do pré-sal, quando necessário, para evitar acidentes como o ocorrido recentemente no Golfo do México. Além disso, afirmou, boa parte dos recursos da exploração seriam investidos em tecnologia para que, em curto espaço de tempo, o uso de combustíveis fósseis seja substituído.

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