Marina pede virada de jogo para chegar ao segundo turno

A candidata a presidente Marina Silva (PV) mostrou hoje disposição para "virar o jogo até o dia da eleição", em 3 de outubro. "Para aqueles que já estão cantando vitória antes do tempo e para aqueles que já estão entregando os pontos antes do tempo, eu estou chamando o eleitor brasileiro para a gente virar esse jogo e irmos para o segundo turno", afirmou ela, sorridente, após um passeio de uma hora pelo Mercado Municipal de São Paulo.

CAROLINA FREITAS, Agência Estado

23 de agosto de 2010 | 15h43

Questionada se ao falar de "entregar os pontos" se referia ao candidato José Serra (PSDB), Marina respondeu: "Eu vejo que as pessoas ficam desanimadas, meio atordoadas. Mas eu acredito na democracia. Temos 40 dias pela frente e nesses 40 dias muita coisa pode acontecer." Marina reclamou que o debate eleitoral tem deixado para segundo plano propostas para saúde, segurança, educação e meio ambiente e prometeu que insistirá na discussão desses temas.

Ex-filiada ao PT, Marina fez mistério sobre a aparição ou não da imagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nos próximos programas da campanha na publicidade eleitoral gratuita na televisão. Marina repetiu por três vezes que não negaria a própria história, mas também não faria "uso oportunista" da figura de Lula.

Hoje, também na capital paulista, o presidente revelou que não pretende processar o PSDB pelo uso da imagem dele na publicidade de Serra na TV. Após muita insistência dos jornalistas, reagiu: "Vocês querem uma eleição sem suspense? Com tudo já anunciado? Isso quem está fazendo é a candidatura oficial de oposição e a de situação. Tudo já é previsível. Deixa um pouquinho de surpresa. Fica mais interessante."

Segurança

A candidata do PV criticou ainda a forma como são encaradas no Rio de Janeiro as Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), iniciativa do governo do Estado para combater o tráfico de drogas em favelas. Para Marina, a ideia é boa, mas é usada como se fosse a solução em relação à violência na capital fluminense.

"Pega-se um bom remendo e põe-se num tecido velho", afirmou. De acordo com ela, é esse raciocínio que causa episódios como o de sábado, quando criminosos invadiram o Hotel InterContinental, na zona sul da cidade, e manteve 35 reféns.

Atraso

Marina chegou com uma hora de atraso para a agenda no Mercado Municipal, no horário de maior movimento, o do almoço. Ganhou beijos de eleitores e, apesar da insistência dos feirantes, não comeu os quitutes que lhe eram oferecidos. Sempre a sorrir, Marina explicava que era alérgica e só podia comer nos horários certos.

Na hora de ir embora, a candidata agradeceu e abraçou o guardador de carros José Carlos, que havia vigiado o automóvel da campanha. "O seu nome agora está famoso, todo mundo agora quer ser ''Zé''", declarou Marina, em referência indireta ao candidato do PSDB a presidente, que, na publicidade eleitoral, se apresenta com o apelido.

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