Marina, no bastidor da campanha eleitoral: choro e encontros

Sirkis, que foi 1º coordenador da campanha, conta, em livro, reuniões secretas com tucanos e petistas

Luciana Nunes Leal, de O Estado de S. Paulo

03 de junho de 2011 | 23h00

RIO - Integrante da coordenação da campanha da ex-senadora Marina Silva à Presidência, o deputado Alfredo Sirkis (PV-RJ) conta em livro os bastidores da eleição que a candidata chorou e pediu desculpas pelo mau desempenho no primeiro debate presidencial, em 5 de agosto. Em O Efeito Marina (Ed. Nova Fronteira, 276 páginas, R$ 39,90), que será lançado na segunda-feira, 6, no Rio, o parlamentar transcreve e comenta notas feitas entre julho de 2009 e novembro de 2010.

 

Sirkis relata o momento em que Marina, durante reunião sobre o segundo turno, muda o foco da discussão e se emociona. "Ela nos contou, em lágrimas, que ao chegar ao palco da Band e olhar para Dilma e Serra, viu neles não os adversários com os quais deveria se digladiar, mas dois seres humanos. Dilma, com quem, apesar das versões em contrário, tivera uma relação próxima e bons momentos (...) Olhou também para Serra, ‘com aquelas olheiras profundas’, e viu nele o homem que há tantos anos lutava e trabalhava para melhorar as coisas."

 

A própria Marina assina o prefácio da obra, citando "momentos surpreendentes" do livro, como a "incredulidade" inicial de Sirkis acerca da filiação da então senadora, ex-ministra do Meio Ambiente do governo Lula. Para o deputado, era uma "tábua de salvação" para o PV.

 

Em vários trechos, Sirkis reclama das especulações da imprensa sobre a possível chapa Serra-Marina, no início de 2010, e das apostas no fracasso da campanha. O deputado também revela uma conversa com o assessor especial para assuntos internacionais do governo Lula, Marco Aurélio Garcia. Segundo ele, em conversa durante o segundo turno, "Marco Aurélio Garcia reconheceu que a declaração de Lula sobre a greve de fome dos presos políticos cubanos fora um erro. Atribuiu-a ao estilo bem informal do nosso presidente".

 

Em março de 2010, Lula criticou o protesto dos opositores do regime cubano. "A greve de fome não pode ser um pretexto de direitos humanos para liberar as pessoas. Imagine se todos os bandidos presos em São Paulo entrarem em greve de fome e pedirem liberdade."

 

Tucanos. O livro também traz detalhes de encontros com tucanos, incluindo uma "reunião secreta" entre dirigentes do PV com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e o então governador de São Paulo, José Serra. O encontro ocorreu em fevereiro de 2010, quando o PSDB tentava montar uma chapa com Marina vice de Serra.

 

Segundo o autor, a reunião tratou apenas da aliança entre PV e PSDB no Rio, em torno da candidatura do deputado verde Fernando Gabeira para o governo fluminense. Sirkis revela os cuidados de Serra com um possível grampo em seu telefone. Verdes e tucanos se reuniram na casa do ex-presidente em Higienópolis, na capital paulista.

 

"Serra chegou à reunião muito desconfiado. Deixou seu celular em outro quarto, alegando que havia ‘grampos’ capazes de monitorar conversas até por aparelhos desligados. Começou a discussão comigo meio tenso, mas depois relaxou e, com a ajuda da contagiante simpatia do ex-presidente, virou uma conversa agradável", escreve Sirkis. No final, diz o deputado, Serra, "já muito amável", convidou-o para jantar no Palácio dos Bandeirantes. "Não falamos mais sobre a campanha eleitoral, mas sobre questões de gestão pública e lembranças dos tempos da ditadura e do exílio. Fiquei com uma dimensão mais humana dele", diz Sirkis sobre Serra.

 

O deputado verde conta que, dias depois da reunião com os paulistas, esteve com outro tucano, o então governador de Minas Aécio Neves, que tentou, em vão, convencê-lo de que o PV não deveria ter candidato próprio no Estado. "Foi elegante na argumentação. Expliquei que Marina precisava de um candidato a governador em Minas para apoiá-la", conta Sirkis.

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