Marina nega ter escondido bandeira do arco-íris

'Pensei: se ela abrir a bandeira quer dizer que ela nos apóia e que poderíamos ter esperanças', disse o vereador homossexual do PV, Sander Simaglio

Roberto Almeida, do O Estado de S.Paulo

14 de abril de 2010 | 18h00

A senadora e pré-candidata do PV à Presidência, Marina Silva, publicou nesta terça-feira, em seu blog de campanha (minhamarina.org.br) uma resposta ao vereador de Alfenas (MG), Sander Simaglio, também do Partido Verde, que a acusa de ter “escondido” uma bandeira do arco íris, símbolo do movimento gay, em evento no final de semana em Belo Horizonte. Simaglio, homossexual assumido e defensor do movimento LGBT, publicou um texto em blogs e sites afirmando que Marina teria ignorado seu pedido de estender a bandeira.

 

 “Quando a tirei (a bandeira) do bolso, disse nos seus ouvidos: ‘Faça como o presidente Fernando Henrique e o presidente Lula, abra e a levante com orgulho pra todo mundo ver que a senhora é uma candidata que quer dialogar conosco, 19 milhões de cidadãos LGBTs brasileiros’”, escreveu o vereador. “Pensei: se ela abrir a bandeira quer dizer que ela nos apóia e que poderíamos ter esperanças. Se ela não abrir, é porque o tema é polêmico demais para se tratar assim em público”, explicou em texto.

 

“Abri a bandeira para a senhora, na esperança de que iria repetir o ato de diversos políticos brasileiros que rotulamos como modernos, livres do ranço do conservadorismo e a senhora, para minha surpresa, deu um jeitinho de me abraçar com uma mão e com a outra, por baixo, esconder, mais que depressa, o símbolo da luta do movimento homossexual brasileiro”, contou. Marina deu sua versão do caso em no blog. “Nos últimos dias, um vereador de meu partido, militante do movimento LGBTs, me escreveu, com cópia para outras pessoas, dizendo que eu ‘escondi’ a bandeira arco-íris que ele me entregou durante um evento público na Assembleia Legislativa de Minas Gerais”, observou. A pré-candidata diz “não se recordar” de ter tido qualquer diálogo com Simaglio durante o evento. Apenas tirou fotos. “De forma simpática e respeitosa, ele me passou a bandeira que retirou do bolso de seu paletó. Como fiz com tantas outras lembranças que me foram dadas naquele dia – livros, artesanatos e flores –, passei a oferta ,do vereador para a minha assessoria. Então nos abraçamos, nos despedimos, e não notei nenhum desapontamento de sua parte”, relatou a senadora.

 

“Aliás, não tive nenhuma reação surpreendente ao receber a bandeira. Receber presentes e lembranças simbólicas é um ato corriqueiro em minhas andanças pelo País”, continuou. Marina ressaltou ainda que na condição de pré-candidata deve representar todos os brasileiros “independentemente do que pensam, de sua orientação sexual, do que creem ou de sua militância”. “Por fim, reafirmo: ainda que minha conduta moral e ética integrem valores da fé cristã, que professo, não discrimino quem quer que seja e defendo plena cidadania para todos. O mesmo espero de todas as outras pessoas, candidatas ou não.”

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