Marina nega ter criado partido para disputar Presidência em 2014

Ex-senadora precisa recolher 500 mil assinaturas até outubro deste ano para oficializar sigla

Isadora Peron, O Estado de S. Paulo

18 de fevereiro de 2013 | 23h51

SÃO PAULO - A ex-senadora Marina Silva negou nesta segunda-feira, 18, que esteja criando um partido para concorrer às eleições de 2014. Em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, ela repetiu o discurso de sábado, quando lançou a sua nova sigla batizada de Rede Sustentabilidade, de que a candidatura à Presidência da República é apenas uma possibilidade.

"É uma possibilidade, porque nós só temos três meses para recolher as assinaturas, depois teremos uma batalha jurídica para conseguir o registro", afirmou ela. A legislação determina que para poder disputar o pleito no ano que vem, o partido precisa coletar cerca de 500 mil assinaturas até setembro e submetê-las à análise do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Todo o processo tem de ser finalizado até um ano antes das eleições, ou seja, em 4 de outubro.

"Recolher as 500 mil assinaturas é o nosso maior desafio, mas não vamos fazer isso com uma ansiedade tóxica", afirmou.

Questionada se ela pensa em se filiar a outra legenda caso a Rede não saia do papel, Marina não respondeu. "Eu vou insistir na ideia de que esse esforço não é puramente eleitoral. Depois de 2010, eu não fiquei só na agenda eleitoral, não fiquei na cadeira cativa de candidata, me dediquei à agenda ambiental", afirmou.

PSD. No sábado, durante o lançamento da Rede em Brasília, Marina afirmou que o novo partido não seria nem oposição, nem situação. A frase lembrou o que o ex-prefeito de São Paulo Gilberto Kassab falou ao criar o PSD, de que o partido não seria nem de esquerda, nem de direita, nem de centro. Nesta segunda, ao ser questionada se o novo partido seria um "PSD que não come carne", a ex-senadora disse que já usava essa expressão desde 2010 e creditou a expressão a uma liderança política francesa.

Na entrevista, a ex-senadora também destacou que o estatuto do seu novo partido tenta antecipar regras que seriam colocadas em prática caso houvesse uma reforma no sistema político brasileiro. Ela citou o exemplo de fixar um teto no valor das doações de campanha como uma alternativa ao financiamento público eleitoral defendido pela sigla. "Nós defendemos o financiamento público de campanha, mas enquanto ela não vem, seria hipocrisia dizer que a gente iria seguir esse sistema. Por isso nós fixamos o teto no valor de doações. Não vão ser mais poucas pessoas doando muito, vão ser muitas pessoas doando pouco", disse.

Mensalão. Ex-petista, Marina disse não ter ficado feliz de assistir à condenação de importantes quadros do partido no julgamento do mensalão no ano passado. Para a ex-senadora, que foi ministra do Meio Ambiente durante o governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, é preciso mais transparência na administração pública para que episódios como esse não voltem a acontecer. "Não basta ser transparente, é preciso dar visibilidade aos dados públicos. Somente instituições virtuosas vão conseguir combater esse problema", afirmou.

Nesta segunda, em entrevista à Rádio Estadão, a ex-senadora já havia citado a dupla "transparência e visibilidade" como uma forma de evitar que fichas-sujas se filiassem à sua nova legenda. "Que a Rede tenha transparência e visibilidade e que o processo de depuração seja feito pelo constrangimento ético daqueles que não estão de acordo com esse tipo de procedimento", disse a ex-senadora.

Para Marina, quem não for ficha limpa será um "corpo estranho" dentro do novo partido. "Não vai ser a Marina colocando gente para fora e para dentro. Vai ser a própria Rede que vai se encarregar de fazer a rejeição desse organismo, que com certeza será um corpo estranho a ela."

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