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'Marina não se considera candidata em 2018, mas eu a considero', diz primeiro deputado a se filiar à Rede

Parlamentar mais antigo em atuação na Câmara, filiou-se nessa quarta ao partido criado pela ex-ministra do Meio Ambiente

Entrevista com

Miro Teixeira, deputado federal pelo Rio de Janeiro

Pedro Venceslau, O Estado de S. Paulo

24 de setembro de 2015 | 17h37

São Paulo - Único representante da Rede Sustentabilidade no Congresso, o deputado Miro Teixeira (70) diz que a legenda criada pela ex-ministra Marina Silva será de oposição, mas não deve embarcar no movimento pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff. Parlamentar mais antigo em atuação na Câmara, com 11 mandatos no currículo, Teixeira enviou um ofício à Mesa Diretora da Câmara na tarde dessa quarta-feira, 23, comunicando que estava se desligando do Pros e entrando para a Rede, que teve seu registro aprovado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) na terça-feira, 22.  Vinte minutos depois, ele conversava com Marina ao telefone quando viu o nome da sigla aparecer no painel do plenário pela primeira vez.  Nesta entrevista ao Estado, Teixeira diz que Marina não se considera candidata a presidente da República, mas ele avalia que ela participará da eleição presidencial de 2018. 

Quem é:

Advogado e jornalista, Miro Teixeira (70) foi eleito deputado federal pela primeira vez em 1970 pelo MDB. A sequência de 11 mandatos só foi interrompida em 1982, quando ele disputou o governo do Rio de Janeiro. Foi ministro das Comunicações no primeiro mandato do ex-presidente de Luiz Inácio Lula da Silva, mas depois rompeu com o governo. Foi filiado ao PDT e ao PPS antes de entrar no Pros em 2014. A Rede foi o 34° partido brasileiro aprovado pelo TSE. 

1 - O sr será candidato a prefeito do Rio de Janeiro em 2016?  

Não cogito isso. Se você perguntar se eu desejo governar o Rio, a resposta é sim.  Mas não me sinto em condições de ser candidato. Não temos uma política de alianças que torne minha candidatura viável. As coligações da Rede nas eleições municipais passarão pelo elo nacional para não descaracterizar o partido. Há uma preocupação de mostrarmos que o discurso do partido é igual a prática.

2 - A dificuldade em construir alianças se deve ao fato da Rede ser um partido pequeno e com poucos recursos ou ao estatuto rigoroso da sigla?

Queremos ser sensatos e compatibilizar nosso discurso com a prática. Não podemos tornar os nossos princípios flexíveis.  Não seremos apenas mais um partido. Queremos errar o mínimo possível. Não vamos nos precipitar com a indicação de candidaturas. Ninguém entrou na Rede com a condição de ser candidato.   

3 - A Rede será um partido de oposição a Dilma? Defenderá o impeachment? 

Somos de oposição e já nos manifestamos, Marina e eu, contra o impeachment pela falta de justa causa. O fato de sermos oposição e termos perdido a eleição não nos tira o bom senso de respeitar a Constituição.         

4 - O PT classifica como golpe o movimento pelo impeachment. O sr concorda com essa tese? 

O deputado que defende o impeachment no microfone não está conspirando. É um direito dele. O golpismo pode existir se houver a figura da conspiração. Alguns países aplicam pena contra a conspiração.

5 - Existe uma conspiração?

Há notícias que sim, e ela não envolve cidadãos de boa fé. A conspiração envolve pessoas que querem a desestabilização por interesses especulativos. O golpe não se faz no microfone, mas na surdina. A conspiração existe, mas está enfraquecida.         

6 - Quem está conspirando?

Na maioria das conspirações soturnas não há grande presença de partidos. Não é por aí. São grupos com interesse de tirar a Dilma no poder. 

7 - A oposição está se aproximando de conseguir o número de assinaturas necessárias para o impeachment? 

O momento mais crítico para o governo no Congresso  já passou. 

 

8 - Marina Silva será candidata à Presidência em 2018?

Marina não se considera candidata, mas eu considero.   

 

9  - Quando deputados devem migrar para a Rede Sustentabilidade?  

Estamos na expectativa da sanção da Dilma na reforma eleitoral, o que deve acontecer entre hoje e amanhã. Muitos deputados estão de olho nisso. Há um dispositivo que deixa dúvida sobre a continuidade da permissão de mudar de partido para quem fundou outra legenda essa permissão de mudar de partido. Isso vai ser judicializado. Há um inciso que revoga a decisão do TSE de que fundar um novo partido não é justa causa para deixar a sigla de origem sem perder o mandato. Não sabemos se a aplicação será automática. Tem gente que estava conversando muito com a Rede, mas refluiu por medo de haver contestação.   

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