Marina 'não representa mais o projeto de Lula', diz Dilma

Na Bahia, ministra mostra-se indiferente à candidatura da atual senadora do PV e ex-integrante do PT

ELIANA LIMA, Agencia Estado

09 Outubro 2009 | 12h43

A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, se mostrou nesta sexta-feira, 9, indiferente à candidatura da senadora Marina Silva (PV) para a Presidência da República em 2010 e disse que "ela não representa mais o projeto do presidente Lula". No início de agosto, a senadora deixou o PT e deve ser a candidata do Partido Verde para a sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Dilma não confirmou se deixará o ministério em fevereiro para a campanha, pois sua candidatura ainda depende de uma indicação do partido.

 

Dilma é saudada no trajeto até a Igreja do Senhor do Bonfim (BA). Foto: Romildo de Jesus/ AE

 

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A ministra também desconsiderou os últimos números das pesquisas de opinião sobre as eleições para a Presidência da República em 2010. Segundo ela, "ainda é cedo para uma definição". "Acho que pesquisa é retrato apenas do momento, eu não vou brigar com números", afirmou. Dilma está na Bahia nesta sexta cumprindo uma extensa agenda, acompanhada do governador Jacques Wagner (PT) e do ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha.

 

Dilma admitiu ainda que haverá uma polarização entre o PT e o PSDB na campanha do ano que vem à Presidência da República. "Queremos confrontar o que aconteceu após 2003 (quando o presidente Lula chegou ao poder pela primeira vez) e como era o Brasil antes. A polarização é inevitável", declarou.

 

A ministra participou de uma missa na mais famosa igreja da Bahia, a de Nosso Senhor do Bonfim. Vestida de branco, como manda a tradição, a ministra chegou à igreja às 7h15. Antes de subir as escadarias do templo, tomou um "banho de axé" --folhas de aroeira e pingos de água foram jogados em seu corpo. Em seguida, ganhou dez fitinhas do Senhor do Bonfim (todas na cor branca). Ao lado de Jaques Wagner, a ministra permaneceu durante toda a cerimônia ao lado do altar.

 

Ela cantou parte do hino em homenagem ao Senhor do Bonfim e comungou. Poucos minutos depois do início, o padre Edson Menezes pediu uma "saudação especial pela saúde" da ministra, quando os cerca de 500 fiéis que lotaram as dependências do templo bateram palmas. Há quase três semanas, Dilma foi considerada livre de qualquer evidência de câncer pelos médicos responsáveis por seu tratamento.

 

No final da cerimônia, quando deixava as dependências da igreja, a ministra se aproximou de uma criança, Rian Santos, de um ano de oito meses, e pediu um beijo. A criança, que estava no colo da mãe, respondeu: "Não". Mesmo assim, a ministra teve jogo de cintura para contornar a situação e beijou a criança.

 

Do lado de fora da igreja, a ministra colocou uma fitinha no pulso e elogiou a religiosidade do baiano. "Quem chega à igreja do Bonfim entende perfeitamente os motivos de os baianos serem tão religiosos. Aqui (na igreja), sinto o coração, a alma e a imensa generosidade dos baianos."

 

A pré-candidata tem se aproximado de religiosos. Na segunda-feira, esteve em culto da Assembléia de Deus em São Paulo e há cerca de um mês participou de evento em Brasília que contou com a participação de representantes das principais igrejas evangélicas do país. Em março, esteve na missa do padre Marcelo, membro da Renovação Carismática Católica.

 

(com Reuters)

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