Marina não comenta suposta relação entre jato da campanha de 2014 e caixa 2

Em evento em São Paulo, a ex-ministra alegou que ainda não havia tomado conhecimento sobre as investigações da Operação Turbulência e disse esperar a manifestação do PSB

André Ítalo Rocha , O Estado de S.Paulo

21 de junho de 2016 | 17h54

A ex-ministra Marina Silva, líder da Rede Sustentabilidade, não quis comentar nesta terça-feira, 21, o suposto esquema de corrupção envolvendo o avião que transportava Eduardo Campos (PSB) no dia da sua morte e do qual ela própria fez uso em 2014, quando compunha chapa para concorrer à Presidência da República com o ex-governador de Pernambuco. Marina, que participava de um evento em São Paulo, não deu declarações sobre a Operação Turbulência, deflagrada nesta terça-feira pela Polícia Federal, alegando que ainda não tomou conhecimento da investigação e que pretende esperar a manifestação do PSB.

Segundo a PF, as empresas envolvidas na aquisição da aeronave usada por Campos eram de fachada e estavam em nome de laranjas. Além disso, há evidências de que elas realizavam diversas transações entre si e com outras empresas fantasmas, inclusive com algumas empresas investigadas na operação Lava Jato. Suspeita-se que parte dos recursos que transitaram nas contas examinadas servia para pagamento de propina a políticos e formação de caixa dois de empreiteiras. De acordo com os investigadores, o esquema encontrava-se ativo, no mínimo, desde 2010.

A Operação Turbulência resultou na prisão dos empresários Apolo Santana e João Carlos Lyra, que compraram o jato Cessna Citation PR-AFA. Eles atuavam em Pernambuco, Estado pelo qual Campos foi governador por dois mandatos, antes de se candidatar a presidente em 2014, tendo Marina Silva como vice. Em 13 de agosto, durante a campanha, o avião comprado pelos empresários caiu em Santos (SP) e Campos morreu. Marina, então, assumiu a candidatura e terminou a disputa em terceiro lugar.

Durante seu discurso no evento, Marina voltou a defender uma transformação na política brasileira. "As maiores ameaças que nós estamos vivendo hoje, na economia, nos problemas sociais, foram geradas por um grande atraso na política, uma grande crise na política", disse a ex-ministra, para uma plateia formada por cerca de 60 pessoas, a maior parte estrangeiros. Para ela, esta transformação necessária já vem ocorrendo por meio de um maior ativismo político de cidadãos não organizados em partidos, sindicatos ou ONGs.

Marina também lamentou que o Brasil esteja passando por uma "profunda crise econômica", mencionando que mais de 11 milhões de brasileiros estão desempregados. "Não é fácil, porque temos de cuidar de algo que é emergencial e, ao mesmo tempo, falar de uma perspectiva de médio e longo prazo", afirmou.

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