Ed Ferreira/Estadão
Ed Ferreira/Estadão

Marina: mercado vê condução econômica similar à de Aécio

A ex-senadora deve ser oficializada como cabeça da candidatura do PSB à presidência

FRANCISCO CARLOS DE ASSIS, Estadão Conteúdo

18 de agosto de 2014 | 14h32

A condução da economia num eventual governo presidido pela ex-senadora Marina Silva seria muito próxima da adotada por um governo capitaneado pelo tucano Aécio Neves, avalia o mercado financeiro. É o que disse na tarde desta segunda-feira, 18, ao Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, a economista-chefe da Rosenberg Associados, Thaís Zara.

Essa, de acordo com ela, pode ser uma das explicações para o mercado estar reagindo com tranquilidade à pesquisa do Datafolha publicada nesta segunda mostrando Marina em segundo lugar nas intenções de votos e derrotando a presidente Dilma Rousseff no segundo turno das eleições.

O levantamento do Datafolha colocou para os eleitores um cenário que pressupõe o PSB já tendo confirmado o nome da ex-senadora como cabeça da chapa que disputará a Presidência da República em substituição ao ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos, morto em acidente aéreo na cidade de Santos, litoral paulista, na última quarta-feira, 13.

O PSB ficou de definir o nome que encabeçará a chapa no lugar de Campos na quarta-feira desta semana. O mais provável, segundo esperam os especialistas, é de que Marina seja a indicada - até pelo fato de ela ter sido a candidata a vice-presidente de Campos.

De acordo com Thaís, a situação com a qual a ex-senadora se deparou depois da tragédia que ceifou a vida de Campos deve requerer de Marina um comportamento diferente do protagonizado por ela na eleição presidencial de 2010. Naquela época, de acordo com a economista, a ex-senadora "ocupou o espaço de uma candidata de nicho: limpa, calcada na sustentabilidade, dispensando apoios corporativos, quase beata".

A mudança de comportamento de Marina, segundo Thaís, deverá ocorrer porque, em uma eventual confirmação no segundo turno das eleições, Marina terá que costurar alianças. Mas também, segundo a economista, contribui para a serenidade do mercado nesta segunda-feira as sinalizações do PSB e da própria Marina de que, caso seja ela a escolhida, os compromissos assumidos por Campos - seja nas coligações estaduais como no âmbito econômico - serão mantidos. Isso coloca Marina como uma eventual presidente que manterá o compromisso com o tripé macroeconômico, composto por metas de inflação, fiscais e câmbio flutuante.

"Não sei como ela (Marina) se portaria com relação às reformas estruturais e dos ajustes necessários na economia. Vai depender da habilidade dela em manejar os apoios políticos", disse a economista-chefe da Rosenberg.

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