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Marina mais frágil

A chegada da candidata Dilma Rousseff à casa dos 40% de intenção de votos traz duas indicações que se correlacionam - a vulnerabilidade de Marina Silva ao discurso do despreparo para governar e a consequente necessidade de a candidata do PSB se abrir a um acordo político tradicional no 2.º turno, congelando o tema da "nova política".

João Bosco Rabello, O Estado de S.Paulo

28 de setembro de 2014 | 02h01

Pela pesquisa Datafolha de anteontem, a candidatura Dilma Rousseff foi a beneficiária dos ataques a Marina Silva, o que fica claro com a permanência de Aécio Neves no patamar de 18%. Esses votos, que parecem fiéis ao PSDB, serão decisivos no 2.º turno.

Um dado que reforça a conclusão é o índice de aprovação do governo, que se mantém nos 37%, em contraste com os 10 pontos a mais que Dilma obteve na simulação de 2.º turno. Isso pode significar que houve uma migração de eleitores reconquistáveis que repensaram seu voto em Marina apesar de considerar ruim o governo Dilma.

Apesar do insistente recurso de Aécio Neves à comparação de Marina com o PT, o fato é que o eleitorado de oposição parece convencido de que a ex-senadora é a candidata com mais condições de enfrentar o seu ex-partido.

Por enfrentar, deve-se entender não apenas o combate eleitoral, mas o contexto pós-eleição. A rede de minorias que o ex-presidente Lula organizou ao longo dos 12 anos de poder do PT, dando-lhe organicidade e poder através de ministérios específicos, será acionada pelo partido se for para a oposição.

É de se imaginar a dificuldade do PSDB, em hipotética vitória de Aécio Neves, de conduzir um mandato de ajustes difíceis e impopulares, sob ataque intensivo do PT à frente desses grupos.

Marina Silva teoricamente é blindada ao tipo de ataque que atinge o PSDB. Seria a primeira a conjugar gênero e raça - negra e mulher - na Presidência do País, com uma história de vida muito mais difícil e dramática que a de Lula - ex-seringueira, pobre, migrante, que compõe um perfil de superação invulnerável ao discurso que o PT utiliza historicamente contra o PSDB.

O que falta a Marina - pelo menos é a crítica que o eleitor parece absorver - é a experiência para governar e quadros de elite que assegurem o êxito de seu governo.

Por isso, Marina já deve estar atenta à necessidade de construir alianças com visão realista de que a ponte entre a velha e a nova política impõe uma transição. E, nesse contexto, o apoio do PSDB é imprescindível, não só pelos seus quadros, mas também por ser uma legenda em que a corrupção é pontual e não sistêmica.

O PSDB, nesse momento, já raciocina nessa direção, embora a circunstância eleitoral não permita admitir.

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