Marina insinua que também será a continuidade de Lula

Sem poupar elogios ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a senadora Marina Silva (PV) deu a entender, em seu primeiro discurso como candidata oficial do Partido Verde à Presidência da República, que também pode representar a continuidade do governo Lula.

CAROL PIRES, Agência Estado

10 de junho de 2010 | 19h33

Ex-ministra do Meio Ambiente do governo do PT, Marina ressaltou que Lula ajudou a tirar 20 milhões de pessoas da linha da pobreza, e mostrou que não é preciso "fazer o bolo crescer para depois dividir". Marina prometeu uma "terceira geração" dos programas sociais, que investissem também na inclusão produtiva dos cidadãos de baixa renda. Prometeu "sair do Estado provedor para o Estado mobilizador".

Em 50 minutos em que monopolizou o microfone, Marina desfiou as ideias de um governo pautado pela economia sustentável, de baixo carbono. Entre as diretrizes de governo aprovadas pelo partido hoje, até mesmo a promessa de que as emissões derivadas de todo o período de campanha serão contabilizadas e publicadas na internet.

Mas, a senadora não se limitou ao tema Meio Ambiente, no qual pautou sua trajetória política. Ela também defendeu o acesso à educação e usou o próprio exemplo como uma história de sucesso. "Foi graças à fresta da educação que minha vida mudou. Foi graças a uma educação de qualidade que um filho da classe média se tornou um dos empresários mais prósperos do Brasil", disse, fazendo referência ao candidato a vice na sua chapa, o empresário Guilherme Leal, dono da Natura.

Figurando em terceiro lugar nas pesquisas de intenção de votos, Marina foi otimista: "Espero que no dia 1º de janeiro do ano que vem a gente possa ter a primeira mulher negra presidente do Brasil". Arrancou muitos aplausos e gritos de guerra da plateia, que não atingiu a expectativa dos organizadores, que esperavam entre 1,5 mil e 2 mil pessoas. O auditório foi reduzido de tamanho, e ainda assim não estava lotado.

A senadora criticou a polarização da campanha entre o PT de Dilma Rousseff e o PSDB de José Serra, que têm aparecido empatados em primeiro lugar nas pesquisas de intenção de voto. "Não vamos aceitar o veredicto do plebiscito. Ele vai ser revogado pelo povo brasileiro", disse.

Em outro momento, disse que sentia "uma dorzinha no coração" porque, hoje, enquanto se lançava na disputa pela Presidência pelo PV, o amigo e aliado Tião Viana, do PT, também fazia festa no Acre para se lançar candidato a governador. "Nós estamos separados momentaneamente. Nós vamos nos encontrar num segundo turno, se Deus quiser".

Aliados

A convenção do PV começou pela manhã, com a aprovação pelos delegados do partido da chapa presidenciável e do limite de gastos da campanha, R$ 90 milhões. Entre os oradores convidados a assistir à convenção sentados ao palco, ao lado de Marina, destacou-se o teólogo Leonardo Boff, que disse que Marina não fazia política pelo Poder, mas como Mahatma Gandhi, "como um gesto amoroso pelo povo".

O candidato a vice Guilherme Leal, a quem Marina Silva chamou de "filho de paraense, comedor de açaí", foi um dos últimos a discursar. Leal rejeitou críticas de que Marina não teria perfil técnico para assumir a Presidência da República e por ela foi socorrido quando por diversas vezes se atrapalhou com o discurso e o aparelho de teleprompter. "Quem faz política com P maiúsculo não treina como fala, apenas faz como gostaria de ver os políticos fazerem. Foi o que você fez".

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