Marina faz duras críticas a PT e PSDB em carta aberta

Em carta aberta a ser encaminhada aos presidenciáveis Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB), a ex-candidata do PV à Presidência da República, senadora Marina Silva, fez duras críticas aos partidos de seus ex-adversários, aos quais chamou de "fiadores do conservadorismo". Na plenária do partido hoje que confirmou a posição de independência da legenda no segundo turno, Marina lamentou a disputa do "poder pelo poder", o tom agressivo das discussões na eleição e a dificuldade dos candidatos em debaterem temas novos, numa clara referência à questão do desenvolvimento sustentável.

DAIENE CARDOSO, Agência Estado

17 de outubro de 2010 | 18h56

Marina começou seu discurso agradecendo seus ex-adversários por procurar seu apoio, mas lamentou que as candidaturas não tenham se posicionado com clareza sobre as 10 propostas encaminhadas pelo PV, entre elas a do novo Código Florestal, a reforma política e a construção de novas usinas nucleares. Mais adiante, a senadora criticou a dualidade da política brasileira na história republicana, o histórico confronto entre duas forças opostas e o pragmatismo da "velha política". "Republicanos versus Monarquistas, UDN versus PSD, MDB versus Arena e agora, ironicamente, PT versus PSDB", comparou. "Dois partidos nascidos para afirmar a diversidade da sociedade brasileira se deixaram capturar pela lógica do embate entre si até as últimas consequências", lamentou.

Na carta, Marina avalia que os quase 20 milhões de votos obtidos pelo PV no primeiro turno das eleições presidenciais representam um "recado político relevante" a favor da superação do velho modelo. "Entendam os (votos) como a expressão de um desejo enraizado no povo brasileiro de sair do enquadramento fatalista que lhes reserva de escolher outros valores e outros conteúdos para o desenvolvimento nacional", disse.

Ao mencionar o voto dos evangélicos em sua candidatura, a senadora afirmou que seus ex-adversários fazem uma leitura errônea do eleitorado cristão. "Aqueles com quem compartilho os valores da fé, vão além da identidade espiritual. Sabem que votaram numa proposta fundada na diversidade, com valores capazes de respeitar os diferentes credos", alfinetou. Ela ressaltou que, em nenhum momento da campanha, fez de sua fé "uma arma eleitoral". No final da leitura da carta, Marina destacou que a bandeira do desenvolvimento sustentável será o foco de quem tiver o perfil de estadista.

Consenso

Após a plenária, a ex-candidata comemorou o fato de o partido ter chegado a um consenso. "O PV encontrou uma posição que eu também encontrei", afirmou. Questionada sobre em quem votaria neste segundo turno, Marina desconversou e se limitou a dizer que "voto é secreto". Sobre se já havia votado nulo, ela tergiversou. "Não me lembro".

Ao negar que tenha "lavado as mãos" sobre o apoio a Dilma Rousseff ou a José Serra, Marina disse que não estava ali para "oferecer um destino" aos eleitores. A ex-candidata sugeriu que ambos procurem fazer um "convencimento maduro dos eleitores" com propostas. "A sociedade deu um sinal claro de que não quer o confronto", disse.

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