Marina elogia trabalho da PF em operação no AP

A candidata do PV à Presidência à República, Marina Silva, elogiou hoje o trabalho da Polícia Federal (PF) na operação que levou à prisão o governador do Amapá, Pedro Paulo Dias (PP), considerou a situação lamentável e criticou de forma velada os exemplos de quebra de sigilo sem autorização da Justiça e as instituições públicas responsáveis pela fiscalização contra a corrupção.

TATIANA FÁVARO, Agência Estado

10 de setembro de 2010 | 17h31

Marina disse ter apoiado, quando ministra do Meio Ambiente do governo Luiz Inácio Lula da Silva, 25 operações da PF que levaram à prisão de 725 pessoas, entre as quais estavam funcionários do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

"A diferença é que nós mandávamos os pedidos para que aqueles que achávamos que poderiam estar envolvidos em desmandos de corrupção fossem investigados com a observância da lei. A Polícia Federal para fazer quebra de sigilo bancário, telefônico e escutas tem que ter autorização do juiz", afirmou a candidata.

"É fundamental o combate à corrupção não apenas com palavrório, mas com o funcionamento das instituições e uma atitude pró-ativa do gestor público." Marina visitou em Campinas, no interior paulista, a sede da Bioware, empresa nascida na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) que se tornou uma biorrefinaria de biomassa que transforma resíduos sólidos urbanos e agroindustriais em combustíveis ecológicos.

Impostos

A candidata propôs a desoneração de tributos no âmbito da reforma tributária para empresas como a de Campinas, que investem em tecnologia sustentável e criticou o governo Lula lembrando que quando ministra buscou uma agenda que incentivasse a sustentabilidade.

"São milhares (dessas atividades) em todo o Brasil. Não prosperou pela falta de visão do Ministério da Fazenda e do Planejamento. Quando não se tem a visão estratégica obviamente não se direciona os investimentos para o lugar certo", disse ela, que sugeriu uma base com partidos compromissados com essa agenda para se fortalecer junto ao Congresso caso seja eleita.

"Se eu for eleita é mais fácil de conseguir desoneração e isenção fiscal. O PSDB ficou oito anos com essas alianças e não conseguiu fazer. O PT, oito anos com essas alianças, não conseguiu fazer do mesmo jeito. A única que está desconstruindo essas alianças sou eu", disse.

Vale tudo

Marina criticou ainda o que classificou como "vale tudo" do processo eleitoral, do qual prometeu não participar. "Esse é que é o problema: a banalização do dolo, a naturalização do erro. E para combater o erro precisa transparência e funcionamento das instituições", afirmou. "Os indivíduos falham em suas virtudes. Eu posso falhar. Quando eu falhar tem que ter uma instituição para me corrigir."

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