Marina e Aécio tentam mostrar otimismo

Candidata do PSB minimiza queda nas pesquisas e tucano diz ver chance de virada; ambos dizem que vão estar no 2º turno contra petista

RICARDO BRANDT, ISADORA PERON, DAIENE CARDOSO / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

28 de setembro de 2014 | 02h02

Os candidatos Marina Silva e Aécio Neves afirmaram ontem que estarão no 2.º turno das eleições presidenciais deste ano após a votação do domingo que vem. Marina, com 27% e em viés de queda, segundo o Datafolha, e Aécio, com 18%, e estagnado, segundo o mesmo instituto, disputam a vaga na etapa complementar da corrida ao Planalto para concorrer com a presidente Dilma Rousseff, que tem 40%.

Marina não teve compromissos de campanha ontem nas ruas. Deu apenas uma entrevista a jornalistas e se recolheu para poupar a voz para o debate da TV Record que ocorre hoje.

"Depois de tantos ataques, nós continuamos no 2.º turno. Seguimos felizes e animados com a possibilidade de ganhar. E estamos tranquilos. Quem deve se preocupar são os partidos da polarização, que já tinham uma tecnologia de como perder e de como ganhar uma eleição", disse Marina na entrevista, referindo-se à tradicional rivalidade entre petistas e tucanos que vem sendo colocada em xeque por sua candidatura.

"A nossa candidatura é uma candidatura ascendente e a sociedade brasileira sabe disso. Nós somos um 2.º turno ascendente", afirmou Marina.

Apoio. Ainda sonhando em obter uma vaga no 2.º turno, Aécio voltou ontem a recorrer ao amigo e apoiador Ronaldo Nazário, ex-craque da seleção brasileira de futebol. Ambos estiveram juntos ontem na região metropolitana de São Paulo 13 dias após o primeiro encontro realizado no Rio.

"A nossa diferença para a candidata que está em segundo diminuiu quatro pontos", disse Aécio, tentando mostrar otimismo, ao comentar as pesquisas.

"Estamos em uma rota de crescimento e estaremos no 2.º turno. Porque quem quer derrotar o PT, cada vez mais percebe que a nossa candidatura é a que tem condições de enfrentá-los", afirmou o candidato, repetindo o mantra de que ele representa a real oposição ao atual governo. Recorrentemente, Aécio tem lembrado que Marina Silva é ex-petista e foi ministra do governo Lula.

Visivelmente fora de seu ambiente nos dois eventos do qual participou ontem - em Carapicuíba e em Osasco -, Ronaldo trocava mensagens por celular enquanto Aécio e Alckmin respondiam a perguntas de jornalistas. O ex-jogador procurou justificar o fato de estar deslocado. "É natural que eu seja o que fale menos aqui. Mas vim externar minha indignação", disse ele. "A gente vê cada vez mais escândalos de corrupção, por isso quero externar minha opinião."

Quando todos foram para a rua caminhar, Ronaldo se soltou e virou a estrela do ato político, em meio à confusão de bandeiras e ao empurra-empurra.

Bicicleta. Dilma também teve agenda de campanha ontem no Distrito Federal. Ela prometeu criar uma linha de financiamento em bancos para que a população compre bicicletas. A declaração foi dada antes de Dilma fazer um passeio na linha do BRT (Bus Rapid Transit) na região do Gama, cidade-satélite a cerca de 40 quilômetros de Brasília, um dos investimentos do governo do petista Agnelo Queiroz na capital. Para tanto, foi construído um corredor exclusivo para a passagem dos ônibus articulados da linha.

Dilma lembrou que é a primeira vez que o governo federal utiliza uma política global para investimento na área de transporte urbano. A presidente afirmou que sem os bancos públicos não há investimento na qualidade do transporte. "Ao contrário do que alguns candidatos falam", disse ela, dando mais uma estocada em Marina Silva, do PSB.

A presidente fez um balanço dos investimentos em parceria com Estados e municípios e disse que em um eventual segundo mandato irá continuar a investir na expansão da mobilidade. "O trilho tem uma rapidez imensa", destacou. De acordo com a candidata do PT, as parcerias viabilizaram 658 quilômetros de obras de transporte sobre trilhos, 3.204 quilômetros de BRTs e corredores exclusivos para ônibus, além de investimentos em nove metrôs nos principais centros urbanos do País, cinco parcerias para ampliação de trens urbanos e três obras para colocar em funcionamento monotrilhos.

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