Marina diz ter tido 5 dentes arrancados contra sua vontade aos 17 anos

A senadora fez a revelação pessoal ao falar sobre a importância da implementação do SUS

Bruno Siffredi, estadão.com.br

16 Julho 2010 | 13h51

SÃO PAULO - A candidata do PV à Presidência, Marina Silva, fez um relato muito pessoal nesta sexta-feira, 16, ao falar sobre os problemas no atendimento de saúde à população pobre. A senadora do Acre contou que teve cinco dentes arrancados contra sua vontade quando tinha 17 anos e disse que, em mais de uma ocasião, foi atendida na fila dos indigentes em hospitais públicos.

 

"Eu, aos 17 anos, tinha cinco dentes que estavam cariados e eu fui (ao hospital). Tinha chegado do seringal e minha tia me orientou para ir lá para fazer uma recuperação do meu dente", contou. Segundo Marina, "passava uma pessoa anestesiando a boca de todo mundo que estava na fila" enquanto esperavam para serem atendidos. "Eu dizia: 'É pra fazer a restauração?' Eu nem sabia usar esse nome 'restauração'. Eu falei: 'É pra consertar o dente?', porque a minha tia tinha me orientado, 'não deixa arrancar o seu dente', e aí a mulher disse 'cala boca, menina, abre a boca aí'. E deu a anestesia. Me sentaram na cadeira do dentista e arrancaram cinco dentes da minha boca! Eu sei o que é o sofrimento do povo", contou Marina, durante a entrevista para a rádio 730 de Goiânia.

 

A senadora observou que, se houvessem agentes comunitários e agentes da saúde da família, o incidente não teria ocorrido. "Se tivesse um medico agente comunitário, não teriam arrancado os meus cinco dentes sem eu poder nem sequer me defender daquela barbaridade."

 

"É no atendimento básico, com as agentes comunitários, com os a agentes de saúde da família, que você resolve 80% dos problemas de saúde no Brasil", disse. Segundo Marina, a implementação do Sistema Único de Saúde (SUS), que possibilitaria a presença dos agentes, é barrada pela falta de apoio dos governos Federal e estaduais. "A união e os estados não fazem sua parte. O SUS não é implementado em função dessa ação protelatória da União e dos Estados", observou.

 

Marina também revelou ter sido atendida "muitas vezes como indigente nas filas dos hospitais" e disse ter esperado diversas horas para ser atendida. "Imagina o que é você ter tido cinco malárias, três hepatites, uma leishmaniose, no Acre, e ir para a fila dos indigentes, ficar lá até duas, três horas da tarde, ser atendido, o médico nem olha para sua cara, quando termina já deu a receita", lembrou.

 

Para a candidata do PV, o próximo presidente da República precisa ter "um compromisso visceral com a saúde, com a educação, com a segurança e com a melhoria da vida do povo".

 

Células tronco. Questionada sobre sua posição em relação à utilização de células tronco na pesquisa científica, Marina disse que "quem defende a vida como principio tem posição contrária ao uso de células tronco embrionárias". Ela ressaltou, no entanto, que não faz qualquer objeção à pesquisa utilizando células tronco adultas. "A legislação brasileira já foi aprovada e já vem sendo implementada, essa não é uma decisão do presidente da República", concluiu.

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