Marina diz ser 'solução' para agronegócio do País

A candidata do PV à Presidência da República, Marina Silva, afirmou na noite de ontem ser a "solução" para o agronegócio brasileiro e negou que tenha dificuldades com a maior parte dos representantes do setor. Em entrevista ao Jornal das Dez, do canal pago Globo News, Marina reafirmou que tem como proposta dobrar a produção de alimentos no País, mas de uma maneira que evite o desmatamento.

GUSTAVO URIBE, Agência Estado

11 de agosto de 2010 | 10h17

"A gente não pode generalizar as coisas, parece que todo mundo brigava comigo", afirmou, referindo-se ao período em que atuou como ministra do Meio Ambiente. "Quem faz certo e quem pretende fazer certo concorda comigo. Mas tem uma minoria, que faz bastante barulho, que acha que se pode fazer sem se preocupar com a biodiversidade e com a terra."

Ela defendeu o uso da tecnologia na produção de alimentos e a elaboração de uma nova matriz energética que inclua as energias eólica e solar, bem como a biomassa. "Não é possível que todos os anos fiquemos reféns do apagão. Temos de começar a planejar a infraestrutura energética do País", afirmou.

Durante a entrevista de 15 minutos, Marina reafirmou o compromisso em manter o atual modelo macroeconômico - ancorado no tripé câmbio flutuante, regime de metas inflacionárias e superávit primário -, mas propôs a diminuição da taxa básica de juros (Selic) e o controle do aquecimento da demanda por meio da redução dos gastos públicos.

A candidata do PV repetiu que tem como objetivo num eventual governo a limitação dos gastos para a metade do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB). "Temos de ter mais investimentos e eles virão com uma política de juros que não os inviabilize."

Experiência

Para Marina, a experiência à frente do Ministério do Meio Ambiente (MMA) é suficiente para que ela exerça o cargo de presidente. "Eu cheguei a coordenar 22 ministérios em alguns projetos. Então, fui aprendendo a fazer mediações e ser firme quando tinha de ser."

A candidata do PV voltou a dizer que PT e PSDB foram "reféns do fisiologismo" à frente da administração federal, por parte do PMDB e do DEM, respectivamente, e propôs que, numa eventual gestão dela, petistas e tucanos trabalhem juntos.

"Eu quero governar com os melhores. O presidente Lula não precisa nem de um opositor pelo opositor nem de um continuador pelo continuador. Ele precisa de um sucessor." Marina reafirmou que contaria com uma base de sustentação num eventual mandato do PV, formada, principalmente, pelos verdes e pelo PT.

Ela não excluiu a possibilidade de serem incluídos a essa possível aliança membros do PMDB e do DEM. "Há lideranças boas nessas siglas." No fim da entrevista, voltou a se posicionar como a primeira mulher de origem humilde que poderá governar o País.

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